"- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão..."
Os Maias

terça-feira, 7 de junho de 2011

Kings of Convenience - Mrs. Cold


Hey baby, Mrs. Cold. Acting so tough, didn't know you had it in you so be hurt at all. You waited too long. You should've hook me, before I put my raincoat on.
When can I get it? When can I see? You were fronting because... You knew you'd find yourself vulnerable around me. When can I get it? When can I see? You feel vulnerable around me.
Hey, baby, whats going on? We lost control and you lost your tongue. You lost me. Deaf in my ear. Nothing you can say is gonna change the way I feel.
When can I get it? When can I see? You were fronting because... You knew you find yourself vulnerable around me.
When can I get it? When can I see? I step too close to your boundaries....
You wanted nobody around to see. You feel vulnerable around me.
Hey baby,
What is love?
It was just a game.
We both played and we cant get enough of.

domingo, 5 de junho de 2011

Um jeito de rezar


Um pobre camponês regressava ao fim da tarde a sua casa depois de um dia de trabalho. De repente lembrou-se que não trazia consigo o seu livro de orações. encontrava-se no meio do bosque e tinha-se desprendido uma roda da sua carroça.
O pobre homem estava aflito pensando que nesse dia não ia poder recitar as suas preces. Então rezou assim: “Senhor, cometi uma grande estupidez. Saí de casa sem o meu livro de orações. A minha memória é tão pouca que sem ele não sei rezar. De modo que vou recitar muito devagar o alfabeto cinco vezes seguidas. e Tu, que conheces todas as orações, podes juntar as letras e formar as preces que eu não recordo.”
E Deus disse aos seus anjos: “De todas as orações que escutei hoje, esta foi sem dúvida alguma, a melhor. Uma oração que brotou de um coração humilde e sincero”.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Adeus... a sequela!


Sem querer repetir, porque este poema já teve lugar neste blogue, e sem querer passar a ideia de que tenho pouca cultura poética, simplesmente porque é o meu favorito. É que um poema é bom quando consegue ser transversal às várias situações e sentidos que a vida tem, e este... vem sempre a propósito. Sempre.
Porque pese embora se refira ao adeus de uma relação, ele mantém-se presente no dia-a-dia. Ele reflecte aquilo que de melhor tem um namoro, mas aquilo que é preciso evitar a todo o custo, para que não acabe. É preciso que as palavras não se gastem por serem repetidas tantas vezes. Um pedido de desculpas repetido. Um não que é dito constantemente. Um amo-te que perde sentido. Um quero estar contigo que soa a banalidade. Um logo se vê que acaba por não ser devidamente resolvido. Um dia de trabalho que é interrompido com um telefonema de um beijo rotineiro. O tempo que ao fim-do-dia é todo pouco para descansar. A telenovela. As notícias. O facebook. O passeio adiado......
Por isso, vou reproduzir aqui o poema, o meu preferido, mas em texto corrido, porque o importante não é a forma mas aquilo que o sentido das palavras desperta em cada um de nós.

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. E eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor, já não se passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus.
Eugénio de Andrade

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Informação para todos!


Em conversa-de-domingo-a-seguir-à-missa, na faixa etária dos 85 para cima, e em inicio de campanha eleitoral, fala-se de política. Desde as vizinhas que não vão votar, porque nunca foram, desde o tempo em que os maridos o faziam por elas, por lei, até àquelas que acompanham os boatos antigos sobre a vida pessoal e amorosa de José Sócrates, a verdade é que só não está informado quem não quer.
Nisto... 
"Parece-me que aquele que lá anda a falar melhor... é o Paulo Portas"

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Mistério admirável da nossa fé


Pergunto-me (quase) todos os dias pelo mistério admirável da nossa fé - Fátima é para mim um desses mistérios. Um mistério dos dias de hoje. A ideia era escrever um texto sobre as centenas de peregrinos que vi na estrada esta semana na zona de Coimbra e Torres Novas, mas a imagem de Nossa Senhora de Fátima quase que me obriga a restringir-me ao silêncio. O melhor dos silêncios. O silêncio do crente.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Hoje não.

Um dia vou acreditar nos politicos. Hoje não.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Portugal

Tiveste gente de muita coragem, e acreditaste na tua mensagem. Foste ganhando terreno, e foste perdendo a memória. Já tinhas meio mundo na mão. Quiseste impor a tua religião, e acabaste por perder a liberdade, a caminho da glória.

Ai, Portugal, Portugal (...)

Tiveste muita carta para bater. Quem joga deve aprender a perder, que a sorte nunca vem só, quando bate à nossa porta. Esbanjaste muita vida nas apostas, e agora trazes o desgosto às costas. Não se pode estar direito, quando se tem a espinha torta.

Ai, Portugal, Portugal (...)

Fizeste cegos de quem olhos tinha, quiseste pôr toda a gente na linha. Trocaste a alma e o coração pela ponta das tuas lanças. Difamaste quem verdades dizia. Confundiste amor com pornografia. E depois perdeste o gosto de brincar com as tuas crianças.

Ai Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Jorge Palma

domingo, 24 de abril de 2011

Estar cativado é estar preso... e o amor é uma prisão.

- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... Cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- Que é um ritual? Perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. (...)
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ai! – Exclamou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua, disse o principezinho. Eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Pois quis.
- Mas agora vais-te pôr a chorar!
- Pois vou
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! Disse a raposa. Por causa da cor do trigo… Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo. (...)
- Adeus...
- Adeus, disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade, disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
Excerto de "O Principezinho", de Antoine de Saint-Exupéry

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Este é um país rico, e um país de ricos.

Em suma, um rico país. Andamos todos alegres porque vamos passar 4 dias sem fazer nenhum. Isto na pior das hipóteses. Meio país já parou na quinta feira santa, porque é santa, e porque o Sócrates é um fixe!
1. Na quinta-feira-santa saí mais cedo do trabalho, e fui a correr para a cabeleireira a fim de enfim, dar assistência à minha necessidade fútil de ficar mais leve e preparar-me, também eu, para a Passagem que é a Páscoa. Fiz 3 minutos a pé e lá estava eu em frente ao salão da cabeleireira do costume, que tinha a porta aberta, mas que não faz marcações e atende por ordem de chegada. Acontece que... já não me atenderam. Pelo menos 4 cabeleireiras a trabalhar, duas pessoas por atender, e para mim, "já é um pouco tarde, 10 para as 7..." Claro que não consegui lidar muito bem com a frustração de quem passou um dia inteiro a planear um corte de cabelo fresco para a Primavera, sobretudo num dia escuro em que não parou de chover um segundo. Pelo que, nesse momento de névoa em cima da minha cabeça e invadida por um espírito de obsessão, ainda insisti, dizendo que era uma coisa muito simples e muito rápida. Estupidamente, claro.
2. Peguei no carro, e procurei outra cabeleireira perto de casa, cheguei por volta das 7h e já se encontrava fechada.
3. Por fim, última tentativa, 50 metros a pé e encontro um salão aberto, uma cliente a ser atendida por uma cabeleireira, e a outra sentada ao balcão, que me diz que já é tarde, e que se fosse há 10 minutos atrás era possivel.
Está benzinho este país, sentado ao balcão, à espara da hora de saída. Só que entretanto, acho que foi de férias... E, como diria o Mário Soares, nós somos todos uns fixes, como o Sócrates, estão a ver.

P.S.- Em conversa com uma amiga minha, na qual manifestava a minha indignação (!), ela diz-me que não tenho razão absolutamente nenhuma, e que ninguém tem a obrigação de me cortar o cabelo se passar das 7h da tarde.
Será de esquerda ou de direita?! :)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Em 1989 era assim... Em 1910 era assim... Em 2011 é assim...

Passado exactamente meio ano desde o último post neste blogue, eis-me aqui. Este meio ano passou rápido, rápido. Passou a correr, entre a contagem de prazos e o cumprimento dos mesmos. E o próximo meio ano apresenta-se ainda mais preenchido. A vida não pára. Passa por mim diáriamente, sem que eu tenha noção da sua velocidade, e é a este ritmo que sou chamada a agir, e a tomar partido. Sou chamada a todo o momento a não ficar indiferente. E por vezes é tudo o que quero. Ser um vegetal, um nada, um ser não pensante. A quem ninguém pergunta absolutamente nada.
E às vezes é tão melhor fechar os olhos ao que está a acontecer à nossa volta. Vivemos num país adormecido, dormente, e não é de agora. Um país triste. Quanto a mim, pelo menos, tenho estado um bocadinho deprimida desde que o governo caiu. É que pelo menos enquanto o governo estava de pé, existia toda uma aparência de que as coisas estavam bem, as coisas iam indo. Depois da queda governo, mas não necessariamente por causa dessa queda, senti-nos a todos em queda livre. Grandes discussões constitucionalistas acerca da legitimidade do governo de gestão pedir ajuda externa. Por ser uma inevitabilidade. Por fazer parte da queda. Costuma dizer-se que 'quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro', e o governo por enquanto ainda em funções era o único que podia prever que dia faltaria dinheiro na carteira do Estado, até onde aguentariam as contas públicas sem que faltasse dinheiro. De qualquer modo, qualquer pessoa atenta percebe que a bancarrota chegou. De qualquer modo, a entrevista dada pelo primeiro-ministro na sua residência oficial há dois dias atrás no sentido de negar a possibilidade de ajuda externa, e da sua oposição à mesma, era irreal, eleitoralista, falsa, calculista e de resto inqualificável.
Não importa. Estou deprimida. Sobretudo porque, mais do que na carteira do Estado, vai faltar o dinheiro na carteira de todos nós.

domingo, 3 de outubro de 2010

Será egoísta o amor? nah!


Todos temos requisitos mais ou menos apertados para a escolha do amor da nossa vida. Os meus requisitos, para além de uma extrema rectidão de carácter e de um apurado sentido de humor, - como se isso fosse pouco - eram muito claros:
a) ser do Sporting! porque tenho a ideia de que os sportinguistas são boas pessoas, sabem sofrer, são persistentes, em suma, podemos vibrar com o mesmo golo, no mesmo sofá e com umas panquecas à frente!
b) tocar guitarra! se for guitarra portuguesa?! melhor ainda! que goste de música, de fado, e faça solos de guitarra só para mim.

Isto, na genialidade de Fernado Pessoa, é o seguinte:
«Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.»
«No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.»

sábado, 2 de outubro de 2010

Tenho que escrever qualquer coisa...


Que uma pessoa quando mora sozinha, começa a falar sozinha! E o mais grave é que começa a achar que isso é normal. E depois tem um blogue, e começa a acreditar que escrever nele é como que desabafar... Eu, que nunca tive um diário. Que já rasguei cartas antigas, e que guardo outras religiosamente. Que gosto de estar com as minhas memórias, que gosto de as tentar apagar, como acontece com números de telemóvel que não uso há 10 anos, mas que de um momento para o outro, irritantemente, se quiser ligar àquela pessoa, sei que não preciso de consultar a lista. É irritante!
Será que todos nós sabemos um ou outro número de telefone de ex-namorados, como se de uma praga que nos persegue se tratasse?
A verdade é que se o meu namorado souber números de ex-namoradas é ainda muito mais irritante. É que as pessoas apaixonadas não conseguem ter um pensamento reversível, que é uma competência que as crianças adquirem aos 5/6 anos de idade, e as permite fazer as operações mais simples de matemática. a+b=c, c-a=b. Na verdade, os ciúmes não são mais do que uma operação mal feita de matemática.  Quando não conseguimos inverter os lugares e fazer raciocínios simétricos. Quando não nos conseguimos pôr no lugar do outro. Simples. Mas muito difícil!
Na maior parte das vezes, queremos é estar no lugar do outros, ou ter estado... Todas as crianças, por mais inteligentes que sejam, e continhas que façam à vida..... são invejosas! Desejam ardentemente o que é dos outros. Mas uma ex-namorada ainda é pior. Porque mesmo que já não goste do nosso namorado, mesmo que nada quisesse com ele caso estivesse livre, continua com inveja! Coisa feia!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

b+a=ba


"A notificação postal presume-se feita no terceiro dia posterior ao do registo, ou no primeiro dia útil seguinte a esse, quando o não seja."
Código de Processo Civil, artigo 254.º, n.º3

sábado, 11 de setembro de 2010

Mimetismo


"O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte do desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente com uma insubordinação inconsciente e feliz." Fernando Pessoa 

MIMÉTICA
Mimética é o nome de um novo campo da ciência, que analisa as transferências culturais.
Em português, temos o prefixo mimeo, do grego miméomai (imitar por gestos).
Mimetismo é o fenômeno consistente em tomarem animais a cor e configuração dos objetos em cujo meio vivem, ou de outros animais de grupos diferentes.
É o que acontece com o camaleão ou com as borboletas...
Mimetizar é adquirir por mimetismo, camuflar-se.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Relatividades

- Nunca mais chegavam os túneis, meu amor.
- Nunca mais chegava a A1...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

É bom ter segredos


Pais-do-amanhã, a quem me dirijo particularmente, por favor entendam que os vossos filhos sabem de coisas que vocês nunca vão imaginar que eles sabem, fazem coisas que vocês não calculam que fazem, pensam por eles próprios e partilham os seus pensamentos com quem menos vocês gostariam que os partilhassem. Os filhos têm a sua identidade e personalidade própria, e têm direito à reserva da sua intimidade, e à protecção da sua vida privada. O que quer dizer, pais-do-amanhã, que não vos será lícito consultar as mensagens do telemóvel do vosso filho, ou vigiá-los onde quer que seja!
Entendam que eles vivem um tempo muito especial, e único, e só serão felizes se se sentirem enquadrados no seu tempo. Entendam que as decisões mais importantes e estruturais para sua vida só podem ser decididas por eles mesmos. E que a conversa que provavelmente os vossos pais teriam convosco, talvez não seja a mais adequada, pelo menos os dogmas e receitas de felicidade que, na verdade, nem antigamente funcionavam! (namorar com a vigília de alguém da família por perto, casar, fazer amor depois do casamento, ter filhos depois de x tempo, e sobretudo, manter o status de casado, acima de todas as coisas).
Pai-do-amanhã, lembra-te que se fizeres um jovem acreditar nestes dogmas, ele vai ter dificuldade em livrar-se deles e em relacionar-se com os outros no mundo em que ele vive.
Pai-do-amanhã, serás um bom pai se conseguires transmitir bons valores aos teus filhos, e ao mesmo tempo respeitar a sua individualidade e aqueles limites da vida privada a que eles têm direito. Nunca tentes começar pelo inverso, e saber afinal aquilo que ele não te conta...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O líder antecipa-se como se pudesse ver o futuro


"(...) sem se ser apaixonado não acredito que se possa ser conselheiro, corajoso, ou mesmo que se esteja disposto a correr riscos. Porquê? Porque a paixão envolve-nos de corpo e alma no projecto, justamente pelo seu carácter eruptivo, impetuoso e tempestuoso. Estar apaixonado é, a partir de si, entregar-se ao outro, porque o êmbolo de toda a paixão é o outro... a quem se procura atrair, entusiasmar ou conquistar para um projecto comum.
Daí que paixão, em múltiplos sentidos, tenha a ver com o futuro. Desde logo porque só quem sente paixão, quem se apaixona, é capaz de pensar em termos de futuro, é capaz de se projectar nele. Ter paixão é ver possibilidades e pensar que as alcançamos; é não dormir e levantar bem cedo porque temos projectos para realizar. Ter paixão é ter visão e, quanto mais apaixonados por essa visão estivermos, mais ela será clara e ambiciosa. Estar apaixonado, ter paixão, é sonhar, é deixar fluir o pensamento e dar asas ao presente em direcção ao futuro que imaginamos para nós e para os outros. Já viu alguém que sonhe mais do que as crianças? Eu não. É por isso que quando lhes perguntamos - e só a pergunta é indicadora desta realidade - o que querem ser quando forem grandes, elas têm sempre uma resposta, que pode ser diversa, mas não deixam de a ter: um super-herói, um astronauta, um bombeiro ou até um pirata.Para as crianças, as possibilidades são ilimitadas (...) Ser criança é, por definição, estar apaixonado, viver com paixão, viver no futuro e no seu sonho. Quer maior visão do que isto?"

Sobre as características de um líder,
Luís Lourenço, em MOURINHO, A DESCOBERTA GUIADA"

domingo, 22 de agosto de 2010

Filhós


Este post já esteve mais longe de poder ser o início de uma nova rubrica neste blogue - As Minhas Receitas, Minhas, como quem diz... porque não consigo fazer exactamente a mesma receita mais do que uma vez, e a mistura dos mesmos ingredientes é sempre uma surpresa. Na semana passada, dei 0,60 € por uma filhó feita na hora, na feira Medieval de Belmonte. E de tempos em tempos cá se fazem umas dúzias.
O que importa são os elementos que leva a massa e a relação certa entre ovos e farinha, porque o resto, é tudo uma questão de mais ou menos gosto. Mas ainda assim, ficam aqui as quantidades daquelas que estão apontadas nas nossas folhinhas como "As Filhós da Festa 1996", que foram feitas numa porção vantajosa e que devem ter ficado mesmo mesmo boas, a ponto de merecerem o título!

3 dúzias e meia de ovos
1,800 Kg de açúcar (ou nem isso)
5,500 Kg de farinha (ou o suficiente para que a massa deixe de correr)
200 g. de fermento de padeiro
Leite (quase um litro)
Erva doce (um pacote grande)
Sal e Canela
Aguardente
Azeite

O fermento de padeiro começa por dissolver-se em água quente e alguma farinha, e deixa-se repousar para depois misturar ao resto do preparado. É só ir juntando farinha até deixar de correr e amassar bem! Depois, deixa-se repousar durante pelo menos 7 horas, até crescer em dobro, benzendo a massa com uma cruz para que tudo corra bem com a levedura, como manda a tradição.
Prontas a fritar!

Nota: Se de repente já não lhe apetecer filhós, poderá fazer da mesma massa deliciosos Bolos de Azeite. Basta irem ao forno, a cozer bem devagarinho...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Em terra própria


"Ao contrário no campo, entre a inconsciência e a impassibilidade da Natureza, ele tremia com o terror da sua fragilidade e solidão. Estava ali como que perdido num mundo que lhe não fosse fraternal; nenhum silvado encolheria os espinhos para que ele passasse; se gemesse com fome nenhuma árvore, por mais carregada que estivesse, lhe estenderia o seu fruto, na ponta compassiva de um ramo. Depois, em meio da Natureza, ele assistia à súbita e humilhante inutilização de todas as suas faculdades superiores. De que servia, entre plantas e bichos - ser um Génio ou um Santo? (...) Toda a intelectualidade, nos campos, se esteriliza, e só resta bestialidade!" in A CIDADE E AS SERRAS, Eça de Queiroz.

Gosto muito da areia e do azul-piscina do mar, mas quem me tira o verde da serra e o cantar da cigarra ao fim da tarde - como consigo encontrar nas praias da serra da Arrábida - tira-me quase tudo... Por isso, depois de uns dias na Arrábida, o meu portinho vai ser agora, definitivamente, a terrinha. Há tradições por cumprir, rituais por repetir, recantos por descobrir no meinho de Portugal.

Jacinto, da Cidade e as Serras, nascido em Paris, acreditava inicialmente que só a cidade tinha as condições para que sentisse a sua superioridade de ser pensante e se separasse, assim, 'dos bichos'.
Apesar daquela personagem mudar completamente a sua visão depois de se mudar para o campo, o que está em causa é, no fundo, a diferença entre a cidade e as serras, entre o litoral e o interior, entre a simplicidade e os salamaleques, entre a metrópole e a ruralidade, entre os múltiplos acessos de auto-estrada e as estradas nacionais e municipais que teimam em contornar montanhas, multiplicando-se em quilómetros e quilómetros que fazem  resistir os seus caminheiros.
É muito mais difícil viver na montanha, envolvido em nevoeiro todas as manhãs. É inevitável, e é mais do que natural, que as montanhas, por si, e o nevoeiro ofusquem as ideias dos mais jovens e dos mais idosos. Isso acontece com as gentes tal como se escondem o horizonte e os caminhos, pela manhã, e possivelmente, por isso mesmo.
A expansão pessoal, social, profissional de cada um é sonhada de acordo com as circunstâncias, claro está, com as quais se conformam muitas vezes. Outras, porém, vincam-se anseios de mudança, que acabam por gerar o tipo de emigrante que o é em terra própria.
Muda-se.
Conhece.
Desilude-se.
Volta.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

«Era de mulher o coração de Mariana»


"Mariana, durante a veloz caminhada, foi repetindo o recado da fidalga;
e, se alguma vez se distraía desse exercício, 
era para pensar nas feições da amada do seu hóspede,
e dizer, como em segredo, ao coração: 
«Não lhe bastava ser fidalga e rica: é, além de tudo, linda como nunca vi outra!»
 E o coração da pobre moça, avergando ao que a consciência lhe ia dizendo,
chorava."
in Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco


Normalmente, num livro, as minhas personagens favoritas não são as personagens principais, porque as personagens principais, na realidade, não existem, e eu gosto pouco de ficções. Nunca me apaixono pelos heróis ou pelos anti-heróis de uma história e dificilmente estou a torcer pelos dois amantes que vivem um amor impossível. Nem por aqueles que têm um carácter linear, completamente maus, ou completamente bonzinhos. Simplesmente, não existe ninguém assim!
Nos Maias, a personagem por quem sempre tive um fascinio platónico é o Ega, pela sua loucura, inteligência, sentido de humor, realismo, pelos desgostos amorosos que teve, por ser o melhor amigo da personagem principal, o Carlos, e porque o Ega personifica toda uma geração, um ideal de vida da época, e um percurso que quase poderíamos identificar com o próprio Eça de Queiroz e a sua geração de 70 - os Vencidos da Vida.
No Amor de Perdição, mais uma personagem secundária. Mariana. Talvez Camilo Castelo Branco nem se tenha apercebido da dimensão moral que tem a personagem, pois é mais a imaginação do leitor do que a discrição da mesma ao longo do romance. A própria critica literária afirma que Mariana é "a figura mais humana e mais complexa da obra" (assim, Jacinto do Prado Coelho).
Mariana, a filha do ferrador que acolhe Simão, é silenciosamente apaixonada por ele, e na história de amor entre Simão e Teresa, Mariana está ali a mais, do ponto de vista do enredo, quer dizer, ela não lhes causa problemas e não é um elemento perturbador. É apenas a confidente, é ela que lhe cuida as feridas, é ela que o vai ver à prisão, é ela que entrega as cartas de amor entre Teresa e Simão, e que chora por não ter o seu amor. "... Mariana, que tivera alguns princípios de escrita, sentava-se à banca, e escrevia cem vezes o nome de Simão, que muitas vezes as lágrimas deliam. E isto assim, durante sete meses, sem nunca ouvir nem proferir a palavra amor." in Amor de Perdição.
Aparentemente, é uma personagem daquelas boazinhas, irritantes, mas não é verdade! Mariana é uma mulher e uma personagem bem real (das que eu gosto).
Quando sabe que Teresa vai para o Convento, nota-se "luzir nos olhos de Mariana um clarão de inocente alegria".
Quando se oferece para entregar ela mesma as cartas de Simão a Teresa, não o faz por mera abnegação! Para além de evitar que ele corra riscos, tem  no seu íntimo, dois propósitos bem claros: impedir que Simão vá, ele mesmo, encontrar-se com Teresa, e por outro lado, satisfazer a sua curiosidade de mulher - conhecer Teresa e olhar o rosto dela.
Quando Mariana se suicida, no mar, agarrando-se ao corpo de Simão, fá-lo porque é a única maneira de o corpo de Simão lhe pertencer, vivo ou morto, na eterna impossibilidade de deter a sua alma.
E é isto.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A necessidade e o impulso


Como não sou rica e gosto de não me arrepender do dinheiro que gasto, pus-me a pensar nas decisões dolorosas que por vezes sou obrigada a tomar, sob pressão. A grande maioria das mulheres (e dos homens), entende bem o drama de não se poder ter tudo aquilo que se quer, e nesse sentido, nunca ninguém deixa de ser criança, tal e qual como quando ficamos com vontade de comer um gelado ou desejamos intensamente um brinquedo que passa no reclame da televisão. A diferença é que actualmente, como somos crescidos, arranjamos mecanismos para saber lidar com a situação. Mas a frustração é a mesma! Igualzinha.
Pior do que isso é o arrependimento de ter comprado algo que, no dia seguinte, afinal de contas não é a nossa cara!, como parecia no espelho do provador da loja. É por isso que eu prefiro namoriscar bastante, com a distância do vidro da montra, como fiz com a última mala que comprei, ou fazer uma pré-pesquisa nos sites da Internet das melhores lojas onde costumo ir, porque têm expostos todos os artigos de modo organizado, com os preços e as cores disponíveis, e ninguém me aparece a perguntar se preciso de alguma ajuda.
Para além disso, não tenho muito tempo nem paciência para passar horas dentro de uma loja a olhar, leia-se, apalpar, peças de roupa. Talvez para evitar aquela frustração de não poder levar tudo quanto gostaria.
E tenho para mim algumas regras práticas que passo a partilhar: Primeiro, na dúvida, nunca trago nada para casa. Em segundo lugar, nunca compro coisas que estejam demasiado na moda, porque são sempre as mais caras, mas também aquelas que mais depressa ficarão de lado no armário. Não há nada como peças clássicas que podemos juntar em qualquer ocasião, e por mais simples que sejam, podemos sempre compor com acessórios como um colar ou um lencinho a combinar e assim, com a mesma peça, fazer várias combinações diferentes.
Depois, muito claramente, os dois piores conselheiros das mulheres na hora de ir às compras, e por isso, verdadeiros inimigos são:
- a necessidade, e
- o impulso!
Porque ambos são incontroláveis. Não há razão que lhes ponha cobro, e de vez em quando... acontece. Escolher, por exemplo, um cinto ou um casaco, só porque nos esquecemos dele em casa, é uma compra por necessidade, e nunca resulta!
Quanto ao impulso, por definição, não passa disso mesmo.
Amplamente estudado pela Física, o Impulso é a Força que provoca o movimento de um corpo, num certo intervalo de tempo.
Traduzindo à letra para o sentido figurado, é objectivamente uma necessidade imperiosa, muitas vezes irresistível, que leva certos indivíduos à prática de actos descontrolados e irreflectidos.
Nem mais nem menos do que a Física representa graficamente.
Assim, meus caros, e em jeito de conclusão, I = F. Δt., entenda-se!



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Jerónimo & Cro-magnon

"Um dia acordo relaxado depois de uma noite de muito ambiente e estilo."
Foi este fim de semana. Depois de um concerto, sábado à noite, no parque fluvial.

Os melhores momentos da vida são os inesperados, mas mais, os melhores momentos são não só inesperados, a priori, como conseguem ser surpreendentes, a posteriori.
Foi inesperado porque apenas ouvimos falar de uma sardinhada, sem sequer termos lido os cartazes espalhados pela aldeia, mas como cá em casa, vamos a todas!, marcámos logo a nossa reserva, e fomos brindados com música ao vivo. Foi surpreendente porque se tratava nem mais nem menos do que o Bob Dylan português, ou mais concretamente, do Fundão e da Beira Interior, vá! Que o sotaque do Jerónimo não engana!!!

Têm várias musicas originais desde 1990, na altura das cassetes com lado A e lado B, reconhecidas por todos, pelo menos uns versos (A Tasca da Estação e Auto-Route de Burgos), outras bem divertidas  com motes de coisinhas de nada (Balada do Trolha, Apanhar o grelo e Dias de Chuva com granito, calibre nr.3 e nr.5), ao jeito da música mais tradicional portuguesa...
Para além disso, tocam bem, ao vivo!, melodias americanas que marcam. Como eles dizem, mais que uma banda, é uma maneira de estar. Com tendências de um folk-rock muito característico das décadas de finais de sessenta, bem ao estilo da música das montanhas, setaneja americana, Country, bem entendido!
Prometeram voltar a Janeiro ainda este Verão. Estarei atenta.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Agora é que é!


Há 4 anos atrás, fiz a primeira prova oral da minha vida, e recebi a tua primeira sms, sem sequer termos trocado números de telefone e nem haver muita confiança, foi na véspera do exame, à noite, desejando-me boa sorte. Pouco tempo depois, quando andava a tirar a carta de condução, apareceste em Castelo Branco de surpresa,  em Setembro, no dia em que eu passei no Código. Tinhas tudo controlado e estavas à minha espera em sítio onde sabias que eu ia passar. O meu coraçãozinho encheu-se com a tua presença. No mesmo dia, uma mensagem de amor no guardanapo da minha sobremesa, no restaurante. Um bilhete na minha mota, com a mesma mensagem que ainda hoje me conquista. No início de um amor, tudo é inconsciente, tudo se faz para provocar ansiedade e desejar intimidade, jogam-se as cartas em cima da mesa, sem no entanto as mostrar um ao outro. É um desafio. Fazem-se coisas mais ou menos previsíveis, na hora certa. E qualquer assunto torna-se o melhor assunto do mundo para se ter uma boa conversa!
Ambos entendíamos o que estava a acontecer e sabíamos (um mais do que o outro, é certo), que as dificuldades nos poderiam fazer vacilar.  Mas passaram 4 anos. De privação.
Disse-te muitas vezes que tinha medo por nós, medo de crescermos um sem o outro. Porque mudamos, evoluímos. Medo que a distância nos fizesse idealizar demasiado a pessoa que supomos estar ao nosso lado, mas com a qual não convivemos diariamente, e por isso, pode ela ser uma pessoa diferente, na qual já não reconhecemos a ideia que fazemos dela. Essa prova está em parte por fazer.
Mas agora vai ser tudo diferente, porque vou poder ir contigo ao cinema (sim....). Poderemos jantar juntos mais ou menos quando nos apetecer. E poderei ver-te ao final do dia sem o grande transtorno das viagens longas. Poderemos planear coisas. Ir juntos às aulas de espanhol, no fim do dia. Esta vai preencher plenamente o meu imaginário! Quero muito ver (no sentido de olhar e de tocar) como estás vestido diariamente. Quero partilhar a minha melhor conquista e o meu maior desgosto do dia, e quero muito poder fazê-lo sem  o recurso à linha do telefone. Quero saber como estás e, a todo o momento, se precisares de mim, poder ir 'a correr' ter contigo.
Coisas normais.
Agora é que é!

O mundo dos outros mais ou menos à minha volta

Eu daria de certeza uma boa jornalista, uma boa professora, uma boa psicóloga, e tantas outras coisas que me fizessem ter contacto com os problemas das outras pessoas, conhecer, compreender, transmitir e ajudar. É isso que de alguma maneira vou procurar fazer o resto da minha vida. E despertam-me sempre os bons documentários e as boas reportagens, como as que ontem e hoje passaram na RTP. Ficam aqui os destaques, ambas distinguidas com o prémio UNESCO.


A Avenida Almirante Reis em Lisboa é seguramente a artéria mais multicultural do país. A qualquer hora do dia ou da noite cruzamo-nos ali com chineses, africanos, indianos, paquistaneses, bangladechianos, brasileiros, europeus de leste ... e até portugueses. A diversidade não é apenas étnica mas também social: cá em baixo, na zona tradicionalmente mais popular, a avenida é pobre e degradada, habitada sobretudo por idosos e imigrantes e ensombrada pelo estigma do “Intendente” e da “sopa dos pobres”; depois, à medida que subimos em direcção ao Areeiro, a avenida vai ficando cada vez mais branca, larga e farta para acabar num bairro típíco da alta burguesia lisboeta. “Esta é a nossa rua” é uma viagem pelos muitos mundos que se cruzam nestes dois quilómetros e meio de Lisboa, guiados por quem lá vive e trabalha, descobrindo o que os prende ali, os seus sonhos e desilusões, o que pensam do “outro”, que mora mesmo ao lado, na Avenida.
A autoria e realização do documentário é da jornalista Margarida Metello, a imagem é de Paulo Aleixo, a edição de Mário Rui Miranda e a produção de Ana Lucas.


Viver na Escuridão 
“Viver na Escuridão” revela-nos uma realidade surpreendente em pleno século XXI. Na Serra de Serpa, no coração do Baixo Alentejo, há dezenas de habitantes que vivem sem luz eléctrica. Muitas pessoas são agricultores, com explorações agro-pecuárias, que para manterem o seu negócio tiveram que comprar geradores. Mas ao final do mês, a despesa em combustível é avultada e a competitividade mínima. Para além de tudo isto, também encontrámos gente para quem o tempo parou. Parece impossível, mas descobrimos pessoas que vivem à luz do candeeiro a petróleo, sem electrodomésticos, apenas com uma televisão a preto e branco, ligada a uma bateria automóvel. No entanto, Serpa está apenas a 200 quilómetros de Lisboa e tem uma das maiores estações fotovoltaicas do mundo.
“Viver na Escuridão” é uma reportagem da jornalista Mafalda Gameiro, com imagem de João Martins e edição de imagem de José Rui Rodrigues.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

«Nunca fica tudo dito sobre um amor que acaba»

Autor:  João Morgado (Covilhã)
Lançamento do livro no dia 2 de Julho '10

17h - Biblioteca Municipal da Covilhã
21h - Biblioteca Municipal de Castelo Branco

«Um romance maduro sobre homens e mulheres, casamento e infidelidade, desejo e amor. A solidão entre duas pessoas e o que ficou por dizer depois do adeus. Quatro casais, oito personagens e a pergunta que nos assalta quando percebemos o fim: ainda me amas? Não sabem o que os faria felizes, nem se lembram do dia em que sentiram o peso da solidão, em que se amaram ou se desejaram. Hoje, não se reconhecem, não têm coragem para mudar de vida, para assumir o fim e procurar noutro amor o caminho de volta para o compromisso maior: ser feliz.
Numa viagem ao mundo do erotismo, descobrem que tudo se resume ao desejo ou à falta dele. E num diário de emoções íntimas, as personagens falam na primeira pessoa do que sentem dentro de si e em relação aos outros. Concluem que, cada um à sua maneira, todos acabaram por ser infiéis: por actos, pensamentos ou omissões. Um pecado que lhes valeu o castigo de não serem felizes para sempre.
...Mas o que os faria felizes? Não sabem. Estão presos aos segredos do passado e aos medos do futuro. Por isso o espelho reflecte homens frágeis, acomodados e instintivos; Mulheres emocionalmente imaturas, reprimidas e artificiais;
Com vidas entrelaçadas, cada um escreve no diário a sua viagem pelo mundo do sexo, do desejo, do pudor, do egoísmo, do amor-próprio, do envelhecimento, do sonho e da morte… enfim, a matéria-prima da qual se faz a vida de gente banal. “Sobre nós ninguém escreverá um romance”, diz um dos personagens.»

terça-feira, 29 de junho de 2010

Não é nada pessoal, mas por exemplo...



Detesto a mistura entre estilos, como juntar saltos altos e umas calças rasgadas.
(porque podem conviver pacificamente no armário,
mas nunca na mesma ocasião)

Odeio Preto e Roxo na mesma toilette, e portanto, nunca usaria tal combinação.
(se o fizesse, o meu dia seria certamente para esquecer,
para além do pessimismo que cada uma delas me transmite.
Aliás, isso não me acontece porque não tenho nem uma peça de roupa roxa,
pese embora tenha sido a cor da moda dos dois Invernos anteriores)

Não gosto daquelas pessoas que, na missa, ficam sentadas
quando é para estar de pé ou de joelhos.
(a não ser que tenham uma boa justificação, leia-se,
razões de saúde devidamente fundamentadas)

Não acho piada àquelas pessoas que, na missa, quando se reza o Credo e o Pai-Nosso,
vão sempre uns segundos à frente das outras.
(para quê?!!)

Não suporto gente que não me olha na cara quando fala para mim.
(e isso não acontece só com crianças,
acontece com o meu vizinho de baixo, uma pessoa já adulta,
que simplesmente foge com o olhar, porque é má pessoa)


Estas e outras coisas irritam-me.
Tudo o resto, confesso,
me é um bocadinho indiferente...

quarta-feira, 23 de junho de 2010