"- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão..."
Os Maias

segunda-feira, 19 de julho de 2010

«Era de mulher o coração de Mariana»


"Mariana, durante a veloz caminhada, foi repetindo o recado da fidalga;
e, se alguma vez se distraía desse exercício, 
era para pensar nas feições da amada do seu hóspede,
e dizer, como em segredo, ao coração: 
«Não lhe bastava ser fidalga e rica: é, além de tudo, linda como nunca vi outra!»
 E o coração da pobre moça, avergando ao que a consciência lhe ia dizendo,
chorava."
in Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco


Normalmente, num livro, as minhas personagens favoritas não são as personagens principais, porque as personagens principais, na realidade, não existem, e eu gosto pouco de ficções. Nunca me apaixono pelos heróis ou pelos anti-heróis de uma história e dificilmente estou a torcer pelos dois amantes que vivem um amor impossível. Nem por aqueles que têm um carácter linear, completamente maus, ou completamente bonzinhos. Simplesmente, não existe ninguém assim!
Nos Maias, a personagem por quem sempre tive um fascinio platónico é o Ega, pela sua loucura, inteligência, sentido de humor, realismo, pelos desgostos amorosos que teve, por ser o melhor amigo da personagem principal, o Carlos, e porque o Ega personifica toda uma geração, um ideal de vida da época, e um percurso que quase poderíamos identificar com o próprio Eça de Queiroz e a sua geração de 70 - os Vencidos da Vida.
No Amor de Perdição, mais uma personagem secundária. Mariana. Talvez Camilo Castelo Branco nem se tenha apercebido da dimensão moral que tem a personagem, pois é mais a imaginação do leitor do que a discrição da mesma ao longo do romance. A própria critica literária afirma que Mariana é "a figura mais humana e mais complexa da obra" (assim, Jacinto do Prado Coelho).
Mariana, a filha do ferrador que acolhe Simão, é silenciosamente apaixonada por ele, e na história de amor entre Simão e Teresa, Mariana está ali a mais, do ponto de vista do enredo, quer dizer, ela não lhes causa problemas e não é um elemento perturbador. É apenas a confidente, é ela que lhe cuida as feridas, é ela que o vai ver à prisão, é ela que entrega as cartas de amor entre Teresa e Simão, e que chora por não ter o seu amor. "... Mariana, que tivera alguns princípios de escrita, sentava-se à banca, e escrevia cem vezes o nome de Simão, que muitas vezes as lágrimas deliam. E isto assim, durante sete meses, sem nunca ouvir nem proferir a palavra amor." in Amor de Perdição.
Aparentemente, é uma personagem daquelas boazinhas, irritantes, mas não é verdade! Mariana é uma mulher e uma personagem bem real (das que eu gosto).
Quando sabe que Teresa vai para o Convento, nota-se "luzir nos olhos de Mariana um clarão de inocente alegria".
Quando se oferece para entregar ela mesma as cartas de Simão a Teresa, não o faz por mera abnegação! Para além de evitar que ele corra riscos, tem  no seu íntimo, dois propósitos bem claros: impedir que Simão vá, ele mesmo, encontrar-se com Teresa, e por outro lado, satisfazer a sua curiosidade de mulher - conhecer Teresa e olhar o rosto dela.
Quando Mariana se suicida, no mar, agarrando-se ao corpo de Simão, fá-lo porque é a única maneira de o corpo de Simão lhe pertencer, vivo ou morto, na eterna impossibilidade de deter a sua alma.
E é isto.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A necessidade e o impulso


Como não sou rica e gosto de não me arrepender do dinheiro que gasto, pus-me a pensar nas decisões dolorosas que por vezes sou obrigada a tomar, sob pressão. A grande maioria das mulheres (e dos homens), entende bem o drama de não se poder ter tudo aquilo que se quer, e nesse sentido, nunca ninguém deixa de ser criança, tal e qual como quando ficamos com vontade de comer um gelado ou desejamos intensamente um brinquedo que passa no reclame da televisão. A diferença é que actualmente, como somos crescidos, arranjamos mecanismos para saber lidar com a situação. Mas a frustração é a mesma! Igualzinha.
Pior do que isso é o arrependimento de ter comprado algo que, no dia seguinte, afinal de contas não é a nossa cara!, como parecia no espelho do provador da loja. É por isso que eu prefiro namoriscar bastante, com a distância do vidro da montra, como fiz com a última mala que comprei, ou fazer uma pré-pesquisa nos sites da Internet das melhores lojas onde costumo ir, porque têm expostos todos os artigos de modo organizado, com os preços e as cores disponíveis, e ninguém me aparece a perguntar se preciso de alguma ajuda.
Para além disso, não tenho muito tempo nem paciência para passar horas dentro de uma loja a olhar, leia-se, apalpar, peças de roupa. Talvez para evitar aquela frustração de não poder levar tudo quanto gostaria.
E tenho para mim algumas regras práticas que passo a partilhar: Primeiro, na dúvida, nunca trago nada para casa. Em segundo lugar, nunca compro coisas que estejam demasiado na moda, porque são sempre as mais caras, mas também aquelas que mais depressa ficarão de lado no armário. Não há nada como peças clássicas que podemos juntar em qualquer ocasião, e por mais simples que sejam, podemos sempre compor com acessórios como um colar ou um lencinho a combinar e assim, com a mesma peça, fazer várias combinações diferentes.
Depois, muito claramente, os dois piores conselheiros das mulheres na hora de ir às compras, e por isso, verdadeiros inimigos são:
- a necessidade, e
- o impulso!
Porque ambos são incontroláveis. Não há razão que lhes ponha cobro, e de vez em quando... acontece. Escolher, por exemplo, um cinto ou um casaco, só porque nos esquecemos dele em casa, é uma compra por necessidade, e nunca resulta!
Quanto ao impulso, por definição, não passa disso mesmo.
Amplamente estudado pela Física, o Impulso é a Força que provoca o movimento de um corpo, num certo intervalo de tempo.
Traduzindo à letra para o sentido figurado, é objectivamente uma necessidade imperiosa, muitas vezes irresistível, que leva certos indivíduos à prática de actos descontrolados e irreflectidos.
Nem mais nem menos do que a Física representa graficamente.
Assim, meus caros, e em jeito de conclusão, I = F. Δt., entenda-se!



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Jerónimo & Cro-magnon

"Um dia acordo relaxado depois de uma noite de muito ambiente e estilo."
Foi este fim de semana. Depois de um concerto, sábado à noite, no parque fluvial.

Os melhores momentos da vida são os inesperados, mas mais, os melhores momentos são não só inesperados, a priori, como conseguem ser surpreendentes, a posteriori.
Foi inesperado porque apenas ouvimos falar de uma sardinhada, sem sequer termos lido os cartazes espalhados pela aldeia, mas como cá em casa, vamos a todas!, marcámos logo a nossa reserva, e fomos brindados com música ao vivo. Foi surpreendente porque se tratava nem mais nem menos do que o Bob Dylan português, ou mais concretamente, do Fundão e da Beira Interior, vá! Que o sotaque do Jerónimo não engana!!!

Têm várias musicas originais desde 1990, na altura das cassetes com lado A e lado B, reconhecidas por todos, pelo menos uns versos (A Tasca da Estação e Auto-Route de Burgos), outras bem divertidas  com motes de coisinhas de nada (Balada do Trolha, Apanhar o grelo e Dias de Chuva com granito, calibre nr.3 e nr.5), ao jeito da música mais tradicional portuguesa...
Para além disso, tocam bem, ao vivo!, melodias americanas que marcam. Como eles dizem, mais que uma banda, é uma maneira de estar. Com tendências de um folk-rock muito característico das décadas de finais de sessenta, bem ao estilo da música das montanhas, setaneja americana, Country, bem entendido!
Prometeram voltar a Janeiro ainda este Verão. Estarei atenta.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Agora é que é!


Há 4 anos atrás, fiz a primeira prova oral da minha vida, e recebi a tua primeira sms, sem sequer termos trocado números de telefone e nem haver muita confiança, foi na véspera do exame, à noite, desejando-me boa sorte. Pouco tempo depois, quando andava a tirar a carta de condução, apareceste em Castelo Branco de surpresa,  em Setembro, no dia em que eu passei no Código. Tinhas tudo controlado e estavas à minha espera em sítio onde sabias que eu ia passar. O meu coraçãozinho encheu-se com a tua presença. No mesmo dia, uma mensagem de amor no guardanapo da minha sobremesa, no restaurante. Um bilhete na minha mota, com a mesma mensagem que ainda hoje me conquista. No início de um amor, tudo é inconsciente, tudo se faz para provocar ansiedade e desejar intimidade, jogam-se as cartas em cima da mesa, sem no entanto as mostrar um ao outro. É um desafio. Fazem-se coisas mais ou menos previsíveis, na hora certa. E qualquer assunto torna-se o melhor assunto do mundo para se ter uma boa conversa!
Ambos entendíamos o que estava a acontecer e sabíamos (um mais do que o outro, é certo), que as dificuldades nos poderiam fazer vacilar.  Mas passaram 4 anos. De privação.
Disse-te muitas vezes que tinha medo por nós, medo de crescermos um sem o outro. Porque mudamos, evoluímos. Medo que a distância nos fizesse idealizar demasiado a pessoa que supomos estar ao nosso lado, mas com a qual não convivemos diariamente, e por isso, pode ela ser uma pessoa diferente, na qual já não reconhecemos a ideia que fazemos dela. Essa prova está em parte por fazer.
Mas agora vai ser tudo diferente, porque vou poder ir contigo ao cinema (sim....). Poderemos jantar juntos mais ou menos quando nos apetecer. E poderei ver-te ao final do dia sem o grande transtorno das viagens longas. Poderemos planear coisas. Ir juntos às aulas de espanhol, no fim do dia. Esta vai preencher plenamente o meu imaginário! Quero muito ver (no sentido de olhar e de tocar) como estás vestido diariamente. Quero partilhar a minha melhor conquista e o meu maior desgosto do dia, e quero muito poder fazê-lo sem  o recurso à linha do telefone. Quero saber como estás e, a todo o momento, se precisares de mim, poder ir 'a correr' ter contigo.
Coisas normais.
Agora é que é!

O mundo dos outros mais ou menos à minha volta

Eu daria de certeza uma boa jornalista, uma boa professora, uma boa psicóloga, e tantas outras coisas que me fizessem ter contacto com os problemas das outras pessoas, conhecer, compreender, transmitir e ajudar. É isso que de alguma maneira vou procurar fazer o resto da minha vida. E despertam-me sempre os bons documentários e as boas reportagens, como as que ontem e hoje passaram na RTP. Ficam aqui os destaques, ambas distinguidas com o prémio UNESCO.


A Avenida Almirante Reis em Lisboa é seguramente a artéria mais multicultural do país. A qualquer hora do dia ou da noite cruzamo-nos ali com chineses, africanos, indianos, paquistaneses, bangladechianos, brasileiros, europeus de leste ... e até portugueses. A diversidade não é apenas étnica mas também social: cá em baixo, na zona tradicionalmente mais popular, a avenida é pobre e degradada, habitada sobretudo por idosos e imigrantes e ensombrada pelo estigma do “Intendente” e da “sopa dos pobres”; depois, à medida que subimos em direcção ao Areeiro, a avenida vai ficando cada vez mais branca, larga e farta para acabar num bairro típíco da alta burguesia lisboeta. “Esta é a nossa rua” é uma viagem pelos muitos mundos que se cruzam nestes dois quilómetros e meio de Lisboa, guiados por quem lá vive e trabalha, descobrindo o que os prende ali, os seus sonhos e desilusões, o que pensam do “outro”, que mora mesmo ao lado, na Avenida.
A autoria e realização do documentário é da jornalista Margarida Metello, a imagem é de Paulo Aleixo, a edição de Mário Rui Miranda e a produção de Ana Lucas.


Viver na Escuridão 
“Viver na Escuridão” revela-nos uma realidade surpreendente em pleno século XXI. Na Serra de Serpa, no coração do Baixo Alentejo, há dezenas de habitantes que vivem sem luz eléctrica. Muitas pessoas são agricultores, com explorações agro-pecuárias, que para manterem o seu negócio tiveram que comprar geradores. Mas ao final do mês, a despesa em combustível é avultada e a competitividade mínima. Para além de tudo isto, também encontrámos gente para quem o tempo parou. Parece impossível, mas descobrimos pessoas que vivem à luz do candeeiro a petróleo, sem electrodomésticos, apenas com uma televisão a preto e branco, ligada a uma bateria automóvel. No entanto, Serpa está apenas a 200 quilómetros de Lisboa e tem uma das maiores estações fotovoltaicas do mundo.
“Viver na Escuridão” é uma reportagem da jornalista Mafalda Gameiro, com imagem de João Martins e edição de imagem de José Rui Rodrigues.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

«Nunca fica tudo dito sobre um amor que acaba»

Autor:  João Morgado (Covilhã)
Lançamento do livro no dia 2 de Julho '10

17h - Biblioteca Municipal da Covilhã
21h - Biblioteca Municipal de Castelo Branco

«Um romance maduro sobre homens e mulheres, casamento e infidelidade, desejo e amor. A solidão entre duas pessoas e o que ficou por dizer depois do adeus. Quatro casais, oito personagens e a pergunta que nos assalta quando percebemos o fim: ainda me amas? Não sabem o que os faria felizes, nem se lembram do dia em que sentiram o peso da solidão, em que se amaram ou se desejaram. Hoje, não se reconhecem, não têm coragem para mudar de vida, para assumir o fim e procurar noutro amor o caminho de volta para o compromisso maior: ser feliz.
Numa viagem ao mundo do erotismo, descobrem que tudo se resume ao desejo ou à falta dele. E num diário de emoções íntimas, as personagens falam na primeira pessoa do que sentem dentro de si e em relação aos outros. Concluem que, cada um à sua maneira, todos acabaram por ser infiéis: por actos, pensamentos ou omissões. Um pecado que lhes valeu o castigo de não serem felizes para sempre.
...Mas o que os faria felizes? Não sabem. Estão presos aos segredos do passado e aos medos do futuro. Por isso o espelho reflecte homens frágeis, acomodados e instintivos; Mulheres emocionalmente imaturas, reprimidas e artificiais;
Com vidas entrelaçadas, cada um escreve no diário a sua viagem pelo mundo do sexo, do desejo, do pudor, do egoísmo, do amor-próprio, do envelhecimento, do sonho e da morte… enfim, a matéria-prima da qual se faz a vida de gente banal. “Sobre nós ninguém escreverá um romance”, diz um dos personagens.»

terça-feira, 29 de junho de 2010

Não é nada pessoal, mas por exemplo...



Detesto a mistura entre estilos, como juntar saltos altos e umas calças rasgadas.
(porque podem conviver pacificamente no armário,
mas nunca na mesma ocasião)

Odeio Preto e Roxo na mesma toilette, e portanto, nunca usaria tal combinação.
(se o fizesse, o meu dia seria certamente para esquecer,
para além do pessimismo que cada uma delas me transmite.
Aliás, isso não me acontece porque não tenho nem uma peça de roupa roxa,
pese embora tenha sido a cor da moda dos dois Invernos anteriores)

Não gosto daquelas pessoas que, na missa, ficam sentadas
quando é para estar de pé ou de joelhos.
(a não ser que tenham uma boa justificação, leia-se,
razões de saúde devidamente fundamentadas)

Não acho piada àquelas pessoas que, na missa, quando se reza o Credo e o Pai-Nosso,
vão sempre uns segundos à frente das outras.
(para quê?!!)

Não suporto gente que não me olha na cara quando fala para mim.
(e isso não acontece só com crianças,
acontece com o meu vizinho de baixo, uma pessoa já adulta,
que simplesmente foge com o olhar, porque é má pessoa)


Estas e outras coisas irritam-me.
Tudo o resto, confesso,
me é um bocadinho indiferente...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

perde-se, não se parte nem se quebra


o amor entre
duas pessoas
perde-se
assim que se crê
que ele seja
para toda a vida

sábado, 19 de junho de 2010

Saramago




Cautela!
Que ninguém ouça o que te digo
Dou-te um coração de loiça
Porque o meu anda contigo.







E eis que um senhor autodidacta, nascido numa aldeola, sem estudos, um trabalhador incansável, todos os dias, sozinho, sem renunciar a nada, sendo fiel às suas origens, ao trabalho e à força dos seus, consegue, este homem, sim, representar Portugal deste século!

Se pensarmos que, até ao passado dia 18 do mês de junho de 2010, alguém ainda pudesse ser um estalinista português, apesar de estar em Espanha, é perfeito, no seu melhor, e uma loucura, no seu pior. Sendo que os grandes homens, verdadeiros loucos, nunca se ajustaram às loucuras da vida.

É muito difícil ler todos os seus livros, porque escreveu-os em muito pouco tempo. É por isso, o escritor tardio mais extraordinário. Começou numa altura em que os escritores deixam normalmente de escrever e fê-lo continuadamente como se tivesse 18 anos, como se fosse uma erva daninha que cresce vertiginosamente e espontaneamente em local e momento indesejado, que precisa de ser controlada... e por isso, as suas palavras ficarão esculpidas para sempre na literatura planetária.

Pessoalmente, li “A Caverna” e dei por mim a pensar na relação existente dos suicídios incómodos escandinavos como sombras da teia económica Chinesa assente num simples cariz filosófico - A Lei da Sobrevivência - MAGNÍFICO!

Ao poeta e escritor: A minha admiração

terça-feira, 15 de junho de 2010

Como é que se sabe? (1)

Foto @ Olhares.aeiou.pt (amor e inocência)

Quando ainda era bem novinha, dei por mim pela primeira vez a passar demasiado do meu tempo a pensar num rapaz. E questionava-me se aquele pensamento contínuo seria gostar mesmo de alguém.
Um dia perguntei à minha mãe como é que é possível saber... Perguntei-lhe como é que se sabia que se gostava tanto de uma pessoa ao ponto de querer tomar a decisão de casar com ela. Se com ela tinha sido fácil. A minha mãe na altura respondeu-me que isso acontecia quando eu sentisse que estava a gostar daquela pessoa, tanto como dos meus próprios pais. Ou porventura, mais do que sempre amei os meus pais.
Aí sim, passar o resto da vida com aquela pessoa surge como algo natural.
Eu era muito nova, mas aquela regra fez-me sentido...
Percebi logo que isso não havia de acontecer assim tantas vezes na vida. Não acontece com todos os rapazes bonitos que eu conheço... Ok, com nenhum, pensava. Mas gostava de amar assim alguém. Na altura fazia-me confusão que a minha mãe me tivesse dito que era possível amar tanto ou mais que aos pais. Mas tinha toda a lógica. Se a pessoa que eu escolher para a minha vida vai substituir e criar um novo núcleo familiar, igual àquele que hoje conheço e onde me sinto tão bem, claro que tenho que amá-lo da mesma forma. Tanto ou mais.
Claro que isto é tudo muito mais fácil de entender quando se tem uma família onde há amor, e nem consigo imaginar como é que eu olharia para o mundo se não tivesse os exemplos que sempre tive. Não sei como é que me relacionaria com os outros, nem se conseguiria gostar de alguém.
Já assim não sou perfeita... Sou leal mas não perfeita.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Se ainda der para disfarçar...

Ensina-me a dançar ...

 

Sebastião Antunes a solo (MySpace), nasceu em Castelo Branco e foi o mentor da QUADRILHA, (Quadrilha.net e biografia da Quadrilha), um grupo onde encontramos os sons e melodias tradicionais portuguesas com as sonoridades celtas, tudo muito bem misturadinho!
Hoje, no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, para além de ver afincadamente todo o regime dos recursos no processo civil português, sou levada a partilhar uma forma de expressão bem portuguesa: o património da música tradicional.
Os Quadrilha recuperam-na e reinventam-na sem que se perca nadinha da sua identidade.
Como eles próprios definem, a música dos Quadrilha tem base em formas tão simples quanto os motivos das suas canções. Apelam aos homens do mar e as suas crenças, as gentes da terra e as suas lendas, as histórias contadas à lareira, as moças brejeiras, as sortes da lua, os encantos da noite. 
A não perder: «Ai, caramba», «A Balada do Desajeitado», «P'ra saber o fim», «Doideira», «História da Minhota», «Canção de Emborcar», «O Lobo», «Conto do Bicho Papão», «Ninguém é dono do mar», «Quadrilha», «Quando Deus quiser», «Quem casa com mulher bonita», «Valsa da Bailarina», «Se a vida fosse como a gente quer», «Não dêem cabo do Mundo», «Não há dinheiro», «Scotish»...
Ai... gosto de todas. Fazem-me sorrir. Descubram tudo no Deezer.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

E a noite acabou... no Arraial da Sé

Acabou assim... com a oportunidade de me ensinares a dançar música pimba discretamente.
Ainda com o fado nos passos, que nos serviu de inspiração prévia, de quem já tinha adivinhado que uma sardinha valia por tudo em época de santos populares no velho bairro de Alfama. A noite estava reservada para os fados no Marquês da Sé e a companhia, das melhores que se pode ter, esperava por nós. Eis-me. Dou conta de mim à porta da casa de fados a trocar ideias sobre a vida de Amália Rodrigues por terras do Fundão com o Ricardo Ribeiro, não tivessem as cerejas vindo à baila. Ora estavamos ali naquela noite para o ouvir cantar a ele, e era como se já não fosse preciso, pois percebia-se a grandeza da pessoa e das suas palavras que não trocam o certo pelo incerto, que o fado é muitas vezes silêncio, e no caso, estavamos apresentados e em perfeita harmonia. A voz... eu já conhecia. Mas como o importante era a companhia que me esperava à mesa, e que fiz esperar, lá jantámos em noite de fados, que como de costume, nos encheu a alma e esvaziou a carteira, pela fraca qualidade hoteleira. Depois do último trinar da guitarra, saímos em família com destino aos carros que nos haveriam de levar aos lares. Mas antes que isso acontecesse, quis o destino que a troco de uma garrafa de água, fossemos, eu e tu, já sozinhos, ao bar do Arraial da Sé mesmo ali ao lado e não escapássemos ao comprometido ritual de bailarico (a música pimba neste blogue). Sentiamo-nos na «terrinha» e senhores da festa que nos deu esse direito por alguns segundos. Um casal bem giro, outsider, a dançar de alegria como se o fizesse pela primeira vez.

Voltámos a casa...
pela porta do coração.

by Leonel Barata (autoria comparticipada)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Balada de um soldado

A história é uma só, e remonta à Guerra Civil espanhola de 1936-39.
Às vezes somos obrigados a tomar posições das quais não gostaríamos.
Às vezes magoamos os nossos amigos.
Conseguimos ser cruéis, e somos . Às vezes sem querer.
E depois o que mais desejamos é um novo encontro para que tudo recomece.
Se possível, a vida.


'Una carta ensanguentada' - versão suponho que original (não sei)

'Balada de um Soldado' - versão interpretada por Mafalda Veiga


Caminando por el bosque
en el suelo vi que había
una carta ensangrentada
que cuarenta años hacía.
Era de un paracaidista
de la octava compañía
que a su madre le escribía
y la carta así decía:

 
"Madre anoche en las trincheras
bajo el fuego de metralla
vi el enemigo correr
la noche estaba cerrada.

Apunté con mi fusil
al tiempo que disparaba
y una luz iluminó
el rostro que mataba.

Clavó su mirada en mí
con los ojos ya vacíos,
Madre sabe a quien maté?
no era un soldado enemigo.

Era mi amigo José
compañero de la escuela
con quien tanto yo jugué
a soldados y trincheras.

Ahora el juego era verdad
y a mi amigo ya lo entierran
madre yo quiero morir
ya estoy harto de esta guerra.

Y si te vuelvo a escribir
tal vez sea desde el cielo
donde encontraré a José
y jugaremos de nuevo.

Dos claveles en el agua
no se pueden marchitar,
dos amigos que se quieren,
no se pueden separar.

Si mi cuerpo fuera pluma
y mi corazón tintero
con la sangre de mis venas
yo te escribiría “te quiero”.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Breves considerandos irreflectidos em torno do «não-veto» presidencial


'Agora que os homossexuais se podem casar em Portugal, faz-me ainda menos sentido casar-me', comentávamos nós no outro dia pela manhã, quando os pensamentos fluem sem qualquer nexo de homenagem à racionalidade. Já o pensava antes e a perspectiva é obviamente pessoal, sou eu e os meus objectivos individuais e não pretendo nunca pensar muito para além desse horizonte, pelo menos nesta sede, aqui e agora. Mas casar não é essencial. E não é porque esteja fora de moda, nem pelo preço da 'boda', nem pelo que comem os convidados... O essencial é estarmos bem com aqueles que mais amamos e isso implica mais do que duas pessoas, isto é, bem com o companheiro, com a família e com os amigos. Se todas estas pessoas aceitarem aquilo que eu decido para mim, estará tudo bem entre mim e o mundo. Sim, claro que quero ser feliz para sempre, e até gostava de me casar vestida de branco, só que gostava que isso fosse na sala lá de casa, onde hei-de ter o meu santuário, seguindo-se um jantarinho em família. Uma coisa privada portanto.
 
Várias pessoas (Santana Lopes aqui, José Policarpo e o eleitorado católico ali) se apressaram a dizer que com a promulgação do CPMS, Cavaco Silva defraudou as expectativas dos seus eleitores, e que depois disto dificilmente será reeleito. Disparate.
Já tinha falado do CPMS neste blogue. Faço parte daqueles que entendem que o Casamento é um contrato entre homem e mulher, mas não faço disso uma bandeira. Considero que seria preferível uma solução como a encontrada no Reino Unido, o Civil Partnership, um sistema de direitos e responsabilidades em tudo semelhantes ao casamento civil, incluindo as responsabilidades parentais.
Sou a favor de todos os direitos.
Gosto da terminologia tradicional, mas não sou tradicionalista.
E por isso, ainda bem que hoje existem mais portugueses felizes em Portugal. Ainda bem se a nova lei der um passo importante para a progressiva abertura das mentalidades à diferença, e servir para travar a descriminação. Ainda bem que esta matéria não teve que ser reapreciada pelo parlamento de uma forma despropositada e desproporcionada. Ainda bem que o PR não usou o veto político. A decisão de promulgação do diploma foi, nas palavras do PR (aqui), uma decisão acima das suas convicções pessoais . Eu faria o mesmo, porque não pesa na consciência, mesmo que não se concorde. E viveremos todos felizes para sempre, enquanto povo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

"yes I know how lonely life can be"

Foto: Luiz Fernando Rodrigues Leite (www.olhares.aeiou.pt)

A vida é feita de muitas coisas muito boas (sendo que, como toda a gente sabe, as coisas que realmente importam na vida nem sequer são coisas...) e de vez em quando é feita de tropeços, sonhos, algumas pancadas momentâneas, e de pequenos imaginários que no nosso dia-a-dia vamos criando.
Porque a mente não pára, e precisamos sempre de novos motivos de distracção dos compromissos, de abstracção das responsabilidades. No banho, no autocarro, no meio da rua, a cozinhar, a dormir... a minha cabeça não pára! E há-de ser de certeza num desses momentos de descontracção que me surgirá, por exemplo, um tema de tese brilhante. Tenho a certeza.

É que a simplicidade de tomar banho, andar de autocarro, passear na rua, cozinhar, dormir e todas essas coisas que ocupam o nosso tempo não são menos brilhantes, estou em crer, se as fizermos com alegria, ainda que não as possamos fazer com companhia. E hoje estou especialmente contente, porque fiz a minha primeira sopa de peixe e correu bem. Já tinha dito algumas vezes... não sei fazer sopa de peixe... não sei?! Hoje decidi acabar com este que já era para mim um bloqueio mental, e partir de agora farei muitas mais. Aliás, faz muito mais sentido haver peixe na sopa, para além dos legumes, porque fica bem mais saborosa e contém as proteínas do peixe de uma forma sublime, que nem sequer dá trabalho a comer. E é  mesmo peixe!! (eu não sei cozinhar peixe como deve ser, outro bloqueio). Não levou muitos ingredientes mas depois de a provar, adorei o resultado. Faltaram-me os coentros, e talvez um bocadinho de tomate, mas esta foi só a primeira.

Mas não foi, afinal, nada disto que me levou a escrever. Falava das coisas simples da vida. As coisas que sabem muito melhor acompanhados, mas que na maior parte das vezes têm que ser feitas sozinhos, connosco próprios. Há momentos que a vida me entrega a mim mesma e põe à prova as minhas capacidades. Provoca os meus sentimentos. Ateia a minha revolta. Sozinhos podemos descobrir muitas coisas, com toda a lucidez e seriedade que nos é permitido. Sozinhos podemos imaginar, desejar, inventar, idealizar, sonhar, criar... e cair na realidade certamente mais felizes, e pelo menos com mais certezas daquilo que nos falta.

A minha pancada nos últimos tempos é pelo homem da guitarra, pelas músicas e letras do homem da guitarra. Fica aqui mais uma para ouvir, em jeito de catarse. São estas pequenas composições que apenas traduzem na mente dos médios aquilo que os génios conseguiram expressar. (E já é uma grande coisa...)


And I love you so  (...)
And you love me too.

 Don McLean - And I Love You So (1976)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

diz-me

"diz-me um segredo
qualquer coisa inacessível
dessa tua alma

alguma coisa
que eu possa ainda fingir
que não sei"


(daqui)

terça-feira, 18 de maio de 2010

The day the music died


e iniciou sua carreira em meados dos anos sessenta.
Com muito estilo.

This impressive dirge about the day the music died clearly refers to the death of Buddy Holly in 1959, although the plane he died in was not called American Pie, contrary to popular belief. Some references in the lyrics are clear comments on developments (musical and political) in the sixties, including Dylan as The Jester, and Janis Joplin as 'the girl who sang the blues'. Some are rather obscure though, to say the least. McLean himself has always refused to clarify them in spite of several requests, and as a result numerous theories on interpretation have emerged.... they even made the columns of the famous Straight Dope by Cecil. That lyrical ambiguity remains one of the charms of this song. (daqui)

O que é ter pinta?!


É ISTO. TER ESTILO.
ESTE HOMEM, PARA ALÉM DE UMA BELA VOZ,
CONSEGUE MANTER O MESMO NÍVEL DE CHARME 
DURANTE OITO MINUTOS E MEIO!

A MIM BASTA-ME UM HOMEM COM
UM SORRISO E UMA GUITARRA....

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tempo de arrumações


Sempre me ensinaram que sabemos como saímos de casa, mas não sabemos como voltamos, qualquer coisa parecida com isto... Por isso, a regra de ouro é ter sempre tudo muito bem arrumadinho. A nossa casa, para além de dizer muito sobre nós, encerra dentro de si todos os nossos segredos. A casa, a memória do computador, a gaveta dos bilhetes e a caixinha onde guardamos as cartas e as fotografias que já deviam estar queimadas...
Não que ligue a estas coisas, mas este mês os conselhos para o Sagitário vão neste sentido: "Arrumar a casa antes de sair à rua". Nada mais certeiro. Sem ter a casa arrumada nunca me sentirei à vontade para convidar ninguém a entrar, mesmo que a vontade ou a circunstância o exijam. Sem ter lavado os dentes após a refeição, certamente vou evitar falar perto da boca de alguém, por mais que isso me apeteça. Em suma, se houver alguma coisa fora do sítio, o nosso espaço de actuação fica fortemente limitado.
Sem uma cabecinha orientada e ideias pré-estabelecidas, não posso tomar decisões. Não consigo seguir um rumo diferente daquele que sigo, caso não compreenda os sinais daquilo que quero para mim. Preciso urgentemente de arrumações, limpezas profundas, desinfectantes. Não é de agora, e não sei se o tempo corre exactamente a meu favor.
É estrutural a decisão que se impõe. É importante definir objectivos e afastar caminhos. Mudar. E está na altura de o fazer. Algo muito mais profundo que mudar as roupas de Inverno pelas do Verão dentro do armário. Mais do que comprar modelos novos e trocar pelos antigos. A roupagem será certamente a mesma, mas o interior prepara-se para uma revolução. Se ao menos houvesse um sinal...

Luto académico



Na sexta feira, entre a despedida do Papa na televisão, soube-se em nota de rodapé da morte de Saldanha Sanches, 66 anos, grande professor e impulsionador do ensino e investigação de direito fiscal. Doutor em Direito, com obra feita, e a consideração de todos. Pese embora não tenha sido catedrático, a faculdade presta hoje a devida Homenagem e Luto, não sem alguma polémica.
Hoje, não haverá aulas.

Os alunos já tinham manifestado noutra sede a sua intenção de fazer desta uma segunda-feira diferente.
"Em homenagem ao Prof.Dr.José Luís Saldanha Sanches, todos aqueles que discordam do não encerramento da nossa Faculdade e gostavam de prestar uma última e profunda homenagem à perda de um homem cuja frontalidade, simplicidade, inteligência e aguçado sentido crítico eram marcas incontornáveis da sua personalidade, do qual muito me orgulho de ter sido aluno, irão trajar a rigor como símbolo de dia de luto académico durante todos os períodos do dia de aulas de amanhã. O Professor viveu muito mais para o ensino universitário do que para a carreira política e mesmo assim não lhe foram prestadas as mais dignas homenagens por parte do corpo docente da nossa Casa, nós agiremos de forma diferente ao concedermos por nós e para nós mesmos uma dia de luto em sua honra.
Sentido voto de pesar e um agradecimento especial pela clareza e dedicação do mais ilustre fiscalista que este País já conheceu.
Obrigado Prof.Dr.Saldanha Sanches e até sempre!
Foi e será um exemplo de luta contra o poder instalado a seguir pelos alunos!" (daqui)

"Ele sempre acreditou que o futuro eram os alunos...trabalhava para vocês!"
Dra. Maria José Morgado

domingo, 16 de maio de 2010

Adeus

Ainda andava no Liceu quando decorei este poema, um dos mais bonitos de sempre, de tantas vezes o declamar no silêncio do meu quarto.  De tal modo que ainda o tenho gravado cravado em mim.
Se não estivesse no manual de Português A, provavelmente não o teria procurado, mas estava ali diante de mim, e decorei-o, sabendo que aquilo que o autor expressava, era algo tão verdadeiro e cruel como o fim de um grande amor. O fim. Todos,  em um ou outro momento, nada temos para acrescentar, gastam-se as palavras, e tantas vezes isso significa afinal que tanto ficou por dizer...
Temia passar por isso, tal como hoje, mas conseguia prenunciar a dor de se gastar um sentimento. A dor de se gastarem emoções. Deixam de haver fantasias, deixo de tremer, e não há friozinhos na barriga. Só quando isso deixa de ser uma dor - e só nessa altura - já não resta nada: não se passa nada e por isso já não é a hora sequer de nos debruçarmos sobre essa possibilidade. Mas é preciso que nada reste!!



ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.


Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.



EUGÉNIO DE ANDRADE

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Bento XVI agradece e abençoa os jovens



Eis que Bento XVI se apresenta entre nós sorridente e sensível. A passagem do Santo Padre não deixa ninguém indiferente, e não é porque sejamos um país pequenino. Bento XVI fala com sinceridade para quem o quiser ouvir com o coração. Deixa-nos bem de perto uma mensagem de peregrinação, à semelhança de Cristo, de uma maneira muito mais futurista do que à primeira vista possa parecer.

«Ide fazer discípulos de todas as nações, […] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos...».
(Homilia no Terreiro do Paço, texto completo disponível AQUI.)

terça-feira, 11 de maio de 2010

You should blog about it!

Faz por esta altura um ano que escrevi a primeira mensagem neste blogue, sem que alguma vez tenha dado qualquer explicação a quem quer que fosse da sua existência. O primeiro post chamava-se "cordeirinhos" e não anunciava o início de nada. Nessa altura ninguém sabia que algo de novo tinha sido escrito, muito menos em que morada, porque este blogue viveu na clandestinidade durante algum tempo. Nem eu sabia se aquilo havia de ser apenas um diário digital daqueles que nunca tive em papel. Acabou por ser visitado. Primeiro foi descoberto por constar do histórico do meu computador e não havia como esconder aquele projecto de página pessoal. Sabia a Telma e o meu namorado. Depois cheguei a contar, com algumas reticências, ao meu amigo Helder, a quem mais tarde se tornou óbvio convidar para a escrita poética, para a reflexão, e para tudo a quanto a sua alma livre pudesse aspirar.
Pensava eu... O meu blogue 'ideal' seria um sítio onde eu tivesse o acesso directo a tudo o que costumo consultar na Internet. De um lado, as páginas de jornais nacionais e desportivos (desportivos, quer dizer, o Record), as páginas dos jornais das notícias da Beira, num outro lado a informação e revistas jurídicas, assim como os sites de bases de dados legais e de jurisprudência, e ainda um cantinho reservado para as páginas de "lazer". Só que entretanto, não há muito tempo, aprendi a utilizar os 'Marcadores', qualquer coisa que não sabia existir entre o Histórico e as Ferramentas, e assim consigo ter todas as ligações à margem de qualquer página da Internet, e esse simples facto não só tornou toda a minha vida mais fácil, como tornou a ideia de colocar todos aqueles links no blogue, completamente disparatada!!
A vida do blogue continuou em constante mudança. E na verdade, sempre me irritou esta adesão à proliferação do blogo-mundo, à qual resisti durante algum tempo. Depois tive a necessidade de divulgar uma ou outra coisa acerca da qual falava, e um blogue era certamente a forma indicada de dar a informação de  uma forma pessoal - e claramente suspeita - que me interessava, mas para isso era preciso que uma ou outra pessoa tivesse acesso ao próprio blogue! Depois, porque às vezes me apetece homenagear as pessoas que me rodeiam e nem sempre encontro a melhor maneira de o fazer, entre as conversas de circunstância que a vida nos leva a ter com elas.
Não escrevo, portanto, para o Ego. Não escrevo para tentar formar ou influenciar as opiniões sobre as trivialidades da actualidade. Nem sequer tenho que me pronunciar sobre coisa nenhuma! Nem sequer tenho que vir aqui. Sou livre nos temas e na forma. Um blogue é, para mim, - e para muito boa gente, - um site para quem não sabe fazer um site, uma página que, apesar de tudo, tem a nossa marca e onde podemos dar este mundo e o outro a conhecer, o que vive em cada um de nós.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Backward at school (2)

Porque é giro ter os títulos das mensagens em inglês e porque continuo com o mesmo espírito de alegria e jovialidade, de identidade e cabeça no ar. E há músicas e letras que bastam para expressar esse estado de espírito.

"There is no way I'm looking for a boyfriend. There is no way I'm looking for a scene. I need to save some dough. I'm a working girl, you know. I'll fend attention off I keep to myself.
I love my room, I'm getting used to sleeping. Some nights I really like to lie awake. I hear the midnight birds. The message in their words. The dawn will touch me in a way a boy could never touch. Their promise never meant so much to me. You have been warned, I'm warned to be contrary. Backward at school, I wrote from right to left. Teacher never cared for me. Preacher said a prayer for me. God help the girl, she needs all the help she can get. I sit for hours just waiting for his phone call. I'll leave the chocolate hidden in the fridge. I'll play his messages. Analyze his intonation. Please stop me there, I'm even boring myself. I think of him when I'm doing the dishes. I think of him while looking in the sink. This ain't no play on words. My love for him is absurd. If he gave me a sign I'd think about it for a weekI'd build it up and then I'd turn him down!!!" God Help The Girl

sábado, 8 de maio de 2010

Backward at school (1)


Porque o exterior é importante e tudo começa por aí. Porque o interior é importante mas não chega!
Nos tempos de escola, eu era daquelas típicas miúdas tímidas. Sempre achei piada aos rapazes mais bonitos da escola, mais populares, e mais velhos que eu! Comentava isso em segredo apenas com as minhas amigas, se bem que hoje olho para trás e sei que qualquer um deles era capaz de perceber. Oh! Verdadeiras paixões platónicas, que por não terem passado disso, sempre soube resolver muito bem dentro de mim. Ainda bem que nenhum deles se quis aproveitar da minha ingenuidade!... Não se pode chamar a isto qualquer espécie de frustração, eu não deixei que chegasse a sê-lo, porque na verdade, eu sempre soube o meu lugar, e sempre entendi que os rapazes é que têm que se aproximar da miúda por quem estejam eventualmente apaixonados, e nunca o contrário (na verdade, também este é um saber de experiência feito)... Por outro lado, tinha perfeita consciência que as namoradas desses rapazes eram quase sempre sempre mais bonitas do que eu.
Porque o exterior é importante e tudo começa por aí. Porque o interior é importante mas não chega! Qualquer paixão, beijo, carinho, desejo de estar ao lado de outra pessoa, de ver e ser vista na sua companhia, só acontece relativamente a alguém que seja:
a) algo mais do que boa pessoa;
b) algo mais do que uma pessoa interessante.
A bondade e o interesse só se procuram em quem, antes de mais, nos despertar essa curiosidade. Porque o interior é importante, mas não é tudo. Porque como expressou António Variações: 'Quem feio ama bonito lhe parece, quem bonito tem não sabe se lhe pertence. Quem feio ama gosta de ter confiança porque a beleza nem sempre deu muita segurança.'

terça-feira, 4 de maio de 2010

Intemporal

Três minutos e meio. Eis o tempo que vale a pena dispensar para ver e ouvir até ao fim MONTE LUNAI. O álbum 'Intemporal' foi apresentado em Novembro na estação do Oriente. Ao vivo, os Monte Lunai são uma maravilha. No entanto, é com este vídeo que o transporte acontece.

Jam no Carmo

Sentava-me.
Os pés, somente, e os ombros, marcavam o compasso e balanceavam o ritmo com que a melodia enchia aquele espaço.
Admirava o baile tal como ele acontece. Admirava quem faz dele aquilo que ele é. Sou impelida a sorrir.
Recuperava mentalmente os tempos de antigamente, onde tudo era tão igual aos dias de hoje, igual em rituais, brincadeiras, sorrisos e conversas. Igual nas pessoas, nos interesses, na dança e na música.
Transporto-me realmente para outro tempo, mas exactamente no mesmo espaço, o largo do Carmo.
Anuncia-se o nome da música que aí vem, "a saia da carolina", organizam-se todos, e mal se faz sentir o violino, a magia dos sorrisos traduz-se em sequência: primeiro é uma postura, depois é a uma posição, depois são passos e rodopios simétricos numa magia que enche o meu coração.
Fico completamente contagiada pela vontade de dançar como eles, vou para a roda e, meio atabalhoada, lá ando de um lado para o outro sem destoar, prometendo, pela sexagésima vez, a mim mesma que irei ao primeiro workshop de danças tradicionais que tiver conhecimento. Ou ao Andanças...