"- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão..."
Os Maias

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Balada de um soldado

A história é uma só, e remonta à Guerra Civil espanhola de 1936-39.
Às vezes somos obrigados a tomar posições das quais não gostaríamos.
Às vezes magoamos os nossos amigos.
Conseguimos ser cruéis, e somos . Às vezes sem querer.
E depois o que mais desejamos é um novo encontro para que tudo recomece.
Se possível, a vida.


'Una carta ensanguentada' - versão suponho que original (não sei)

'Balada de um Soldado' - versão interpretada por Mafalda Veiga


Caminando por el bosque
en el suelo vi que había
una carta ensangrentada
que cuarenta años hacía.
Era de un paracaidista
de la octava compañía
que a su madre le escribía
y la carta así decía:

 
"Madre anoche en las trincheras
bajo el fuego de metralla
vi el enemigo correr
la noche estaba cerrada.

Apunté con mi fusil
al tiempo que disparaba
y una luz iluminó
el rostro que mataba.

Clavó su mirada en mí
con los ojos ya vacíos,
Madre sabe a quien maté?
no era un soldado enemigo.

Era mi amigo José
compañero de la escuela
con quien tanto yo jugué
a soldados y trincheras.

Ahora el juego era verdad
y a mi amigo ya lo entierran
madre yo quiero morir
ya estoy harto de esta guerra.

Y si te vuelvo a escribir
tal vez sea desde el cielo
donde encontraré a José
y jugaremos de nuevo.

Dos claveles en el agua
no se pueden marchitar,
dos amigos que se quieren,
no se pueden separar.

Si mi cuerpo fuera pluma
y mi corazón tintero
con la sangre de mis venas
yo te escribiría “te quiero”.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Breves considerandos irreflectidos em torno do «não-veto» presidencial


'Agora que os homossexuais se podem casar em Portugal, faz-me ainda menos sentido casar-me', comentávamos nós no outro dia pela manhã, quando os pensamentos fluem sem qualquer nexo de homenagem à racionalidade. Já o pensava antes e a perspectiva é obviamente pessoal, sou eu e os meus objectivos individuais e não pretendo nunca pensar muito para além desse horizonte, pelo menos nesta sede, aqui e agora. Mas casar não é essencial. E não é porque esteja fora de moda, nem pelo preço da 'boda', nem pelo que comem os convidados... O essencial é estarmos bem com aqueles que mais amamos e isso implica mais do que duas pessoas, isto é, bem com o companheiro, com a família e com os amigos. Se todas estas pessoas aceitarem aquilo que eu decido para mim, estará tudo bem entre mim e o mundo. Sim, claro que quero ser feliz para sempre, e até gostava de me casar vestida de branco, só que gostava que isso fosse na sala lá de casa, onde hei-de ter o meu santuário, seguindo-se um jantarinho em família. Uma coisa privada portanto.
 
Várias pessoas (Santana Lopes aqui, José Policarpo e o eleitorado católico ali) se apressaram a dizer que com a promulgação do CPMS, Cavaco Silva defraudou as expectativas dos seus eleitores, e que depois disto dificilmente será reeleito. Disparate.
Já tinha falado do CPMS neste blogue. Faço parte daqueles que entendem que o Casamento é um contrato entre homem e mulher, mas não faço disso uma bandeira. Considero que seria preferível uma solução como a encontrada no Reino Unido, o Civil Partnership, um sistema de direitos e responsabilidades em tudo semelhantes ao casamento civil, incluindo as responsabilidades parentais.
Sou a favor de todos os direitos.
Gosto da terminologia tradicional, mas não sou tradicionalista.
E por isso, ainda bem que hoje existem mais portugueses felizes em Portugal. Ainda bem se a nova lei der um passo importante para a progressiva abertura das mentalidades à diferença, e servir para travar a descriminação. Ainda bem que esta matéria não teve que ser reapreciada pelo parlamento de uma forma despropositada e desproporcionada. Ainda bem que o PR não usou o veto político. A decisão de promulgação do diploma foi, nas palavras do PR (aqui), uma decisão acima das suas convicções pessoais . Eu faria o mesmo, porque não pesa na consciência, mesmo que não se concorde. E viveremos todos felizes para sempre, enquanto povo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

"yes I know how lonely life can be"

Foto: Luiz Fernando Rodrigues Leite (www.olhares.aeiou.pt)

A vida é feita de muitas coisas muito boas (sendo que, como toda a gente sabe, as coisas que realmente importam na vida nem sequer são coisas...) e de vez em quando é feita de tropeços, sonhos, algumas pancadas momentâneas, e de pequenos imaginários que no nosso dia-a-dia vamos criando.
Porque a mente não pára, e precisamos sempre de novos motivos de distracção dos compromissos, de abstracção das responsabilidades. No banho, no autocarro, no meio da rua, a cozinhar, a dormir... a minha cabeça não pára! E há-de ser de certeza num desses momentos de descontracção que me surgirá, por exemplo, um tema de tese brilhante. Tenho a certeza.

É que a simplicidade de tomar banho, andar de autocarro, passear na rua, cozinhar, dormir e todas essas coisas que ocupam o nosso tempo não são menos brilhantes, estou em crer, se as fizermos com alegria, ainda que não as possamos fazer com companhia. E hoje estou especialmente contente, porque fiz a minha primeira sopa de peixe e correu bem. Já tinha dito algumas vezes... não sei fazer sopa de peixe... não sei?! Hoje decidi acabar com este que já era para mim um bloqueio mental, e partir de agora farei muitas mais. Aliás, faz muito mais sentido haver peixe na sopa, para além dos legumes, porque fica bem mais saborosa e contém as proteínas do peixe de uma forma sublime, que nem sequer dá trabalho a comer. E é  mesmo peixe!! (eu não sei cozinhar peixe como deve ser, outro bloqueio). Não levou muitos ingredientes mas depois de a provar, adorei o resultado. Faltaram-me os coentros, e talvez um bocadinho de tomate, mas esta foi só a primeira.

Mas não foi, afinal, nada disto que me levou a escrever. Falava das coisas simples da vida. As coisas que sabem muito melhor acompanhados, mas que na maior parte das vezes têm que ser feitas sozinhos, connosco próprios. Há momentos que a vida me entrega a mim mesma e põe à prova as minhas capacidades. Provoca os meus sentimentos. Ateia a minha revolta. Sozinhos podemos descobrir muitas coisas, com toda a lucidez e seriedade que nos é permitido. Sozinhos podemos imaginar, desejar, inventar, idealizar, sonhar, criar... e cair na realidade certamente mais felizes, e pelo menos com mais certezas daquilo que nos falta.

A minha pancada nos últimos tempos é pelo homem da guitarra, pelas músicas e letras do homem da guitarra. Fica aqui mais uma para ouvir, em jeito de catarse. São estas pequenas composições que apenas traduzem na mente dos médios aquilo que os génios conseguiram expressar. (E já é uma grande coisa...)


And I love you so  (...)
And you love me too.

 Don McLean - And I Love You So (1976)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

diz-me

"diz-me um segredo
qualquer coisa inacessível
dessa tua alma

alguma coisa
que eu possa ainda fingir
que não sei"


(daqui)

terça-feira, 18 de maio de 2010

The day the music died


e iniciou sua carreira em meados dos anos sessenta.
Com muito estilo.

This impressive dirge about the day the music died clearly refers to the death of Buddy Holly in 1959, although the plane he died in was not called American Pie, contrary to popular belief. Some references in the lyrics are clear comments on developments (musical and political) in the sixties, including Dylan as The Jester, and Janis Joplin as 'the girl who sang the blues'. Some are rather obscure though, to say the least. McLean himself has always refused to clarify them in spite of several requests, and as a result numerous theories on interpretation have emerged.... they even made the columns of the famous Straight Dope by Cecil. That lyrical ambiguity remains one of the charms of this song. (daqui)

O que é ter pinta?!


É ISTO. TER ESTILO.
ESTE HOMEM, PARA ALÉM DE UMA BELA VOZ,
CONSEGUE MANTER O MESMO NÍVEL DE CHARME 
DURANTE OITO MINUTOS E MEIO!

A MIM BASTA-ME UM HOMEM COM
UM SORRISO E UMA GUITARRA....

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tempo de arrumações


Sempre me ensinaram que sabemos como saímos de casa, mas não sabemos como voltamos, qualquer coisa parecida com isto... Por isso, a regra de ouro é ter sempre tudo muito bem arrumadinho. A nossa casa, para além de dizer muito sobre nós, encerra dentro de si todos os nossos segredos. A casa, a memória do computador, a gaveta dos bilhetes e a caixinha onde guardamos as cartas e as fotografias que já deviam estar queimadas...
Não que ligue a estas coisas, mas este mês os conselhos para o Sagitário vão neste sentido: "Arrumar a casa antes de sair à rua". Nada mais certeiro. Sem ter a casa arrumada nunca me sentirei à vontade para convidar ninguém a entrar, mesmo que a vontade ou a circunstância o exijam. Sem ter lavado os dentes após a refeição, certamente vou evitar falar perto da boca de alguém, por mais que isso me apeteça. Em suma, se houver alguma coisa fora do sítio, o nosso espaço de actuação fica fortemente limitado.
Sem uma cabecinha orientada e ideias pré-estabelecidas, não posso tomar decisões. Não consigo seguir um rumo diferente daquele que sigo, caso não compreenda os sinais daquilo que quero para mim. Preciso urgentemente de arrumações, limpezas profundas, desinfectantes. Não é de agora, e não sei se o tempo corre exactamente a meu favor.
É estrutural a decisão que se impõe. É importante definir objectivos e afastar caminhos. Mudar. E está na altura de o fazer. Algo muito mais profundo que mudar as roupas de Inverno pelas do Verão dentro do armário. Mais do que comprar modelos novos e trocar pelos antigos. A roupagem será certamente a mesma, mas o interior prepara-se para uma revolução. Se ao menos houvesse um sinal...

Luto académico



Na sexta feira, entre a despedida do Papa na televisão, soube-se em nota de rodapé da morte de Saldanha Sanches, 66 anos, grande professor e impulsionador do ensino e investigação de direito fiscal. Doutor em Direito, com obra feita, e a consideração de todos. Pese embora não tenha sido catedrático, a faculdade presta hoje a devida Homenagem e Luto, não sem alguma polémica.
Hoje, não haverá aulas.

Os alunos já tinham manifestado noutra sede a sua intenção de fazer desta uma segunda-feira diferente.
"Em homenagem ao Prof.Dr.José Luís Saldanha Sanches, todos aqueles que discordam do não encerramento da nossa Faculdade e gostavam de prestar uma última e profunda homenagem à perda de um homem cuja frontalidade, simplicidade, inteligência e aguçado sentido crítico eram marcas incontornáveis da sua personalidade, do qual muito me orgulho de ter sido aluno, irão trajar a rigor como símbolo de dia de luto académico durante todos os períodos do dia de aulas de amanhã. O Professor viveu muito mais para o ensino universitário do que para a carreira política e mesmo assim não lhe foram prestadas as mais dignas homenagens por parte do corpo docente da nossa Casa, nós agiremos de forma diferente ao concedermos por nós e para nós mesmos uma dia de luto em sua honra.
Sentido voto de pesar e um agradecimento especial pela clareza e dedicação do mais ilustre fiscalista que este País já conheceu.
Obrigado Prof.Dr.Saldanha Sanches e até sempre!
Foi e será um exemplo de luta contra o poder instalado a seguir pelos alunos!" (daqui)

"Ele sempre acreditou que o futuro eram os alunos...trabalhava para vocês!"
Dra. Maria José Morgado

domingo, 16 de maio de 2010

Adeus

Ainda andava no Liceu quando decorei este poema, um dos mais bonitos de sempre, de tantas vezes o declamar no silêncio do meu quarto.  De tal modo que ainda o tenho gravado cravado em mim.
Se não estivesse no manual de Português A, provavelmente não o teria procurado, mas estava ali diante de mim, e decorei-o, sabendo que aquilo que o autor expressava, era algo tão verdadeiro e cruel como o fim de um grande amor. O fim. Todos,  em um ou outro momento, nada temos para acrescentar, gastam-se as palavras, e tantas vezes isso significa afinal que tanto ficou por dizer...
Temia passar por isso, tal como hoje, mas conseguia prenunciar a dor de se gastar um sentimento. A dor de se gastarem emoções. Deixam de haver fantasias, deixo de tremer, e não há friozinhos na barriga. Só quando isso deixa de ser uma dor - e só nessa altura - já não resta nada: não se passa nada e por isso já não é a hora sequer de nos debruçarmos sobre essa possibilidade. Mas é preciso que nada reste!!



ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.


Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.



EUGÉNIO DE ANDRADE

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Bento XVI agradece e abençoa os jovens



Eis que Bento XVI se apresenta entre nós sorridente e sensível. A passagem do Santo Padre não deixa ninguém indiferente, e não é porque sejamos um país pequenino. Bento XVI fala com sinceridade para quem o quiser ouvir com o coração. Deixa-nos bem de perto uma mensagem de peregrinação, à semelhança de Cristo, de uma maneira muito mais futurista do que à primeira vista possa parecer.

«Ide fazer discípulos de todas as nações, […] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos...».
(Homilia no Terreiro do Paço, texto completo disponível AQUI.)

terça-feira, 11 de maio de 2010

You should blog about it!

Faz por esta altura um ano que escrevi a primeira mensagem neste blogue, sem que alguma vez tenha dado qualquer explicação a quem quer que fosse da sua existência. O primeiro post chamava-se "cordeirinhos" e não anunciava o início de nada. Nessa altura ninguém sabia que algo de novo tinha sido escrito, muito menos em que morada, porque este blogue viveu na clandestinidade durante algum tempo. Nem eu sabia se aquilo havia de ser apenas um diário digital daqueles que nunca tive em papel. Acabou por ser visitado. Primeiro foi descoberto por constar do histórico do meu computador e não havia como esconder aquele projecto de página pessoal. Sabia a Telma e o meu namorado. Depois cheguei a contar, com algumas reticências, ao meu amigo Helder, a quem mais tarde se tornou óbvio convidar para a escrita poética, para a reflexão, e para tudo a quanto a sua alma livre pudesse aspirar.
Pensava eu... O meu blogue 'ideal' seria um sítio onde eu tivesse o acesso directo a tudo o que costumo consultar na Internet. De um lado, as páginas de jornais nacionais e desportivos (desportivos, quer dizer, o Record), as páginas dos jornais das notícias da Beira, num outro lado a informação e revistas jurídicas, assim como os sites de bases de dados legais e de jurisprudência, e ainda um cantinho reservado para as páginas de "lazer". Só que entretanto, não há muito tempo, aprendi a utilizar os 'Marcadores', qualquer coisa que não sabia existir entre o Histórico e as Ferramentas, e assim consigo ter todas as ligações à margem de qualquer página da Internet, e esse simples facto não só tornou toda a minha vida mais fácil, como tornou a ideia de colocar todos aqueles links no blogue, completamente disparatada!!
A vida do blogue continuou em constante mudança. E na verdade, sempre me irritou esta adesão à proliferação do blogo-mundo, à qual resisti durante algum tempo. Depois tive a necessidade de divulgar uma ou outra coisa acerca da qual falava, e um blogue era certamente a forma indicada de dar a informação de  uma forma pessoal - e claramente suspeita - que me interessava, mas para isso era preciso que uma ou outra pessoa tivesse acesso ao próprio blogue! Depois, porque às vezes me apetece homenagear as pessoas que me rodeiam e nem sempre encontro a melhor maneira de o fazer, entre as conversas de circunstância que a vida nos leva a ter com elas.
Não escrevo, portanto, para o Ego. Não escrevo para tentar formar ou influenciar as opiniões sobre as trivialidades da actualidade. Nem sequer tenho que me pronunciar sobre coisa nenhuma! Nem sequer tenho que vir aqui. Sou livre nos temas e na forma. Um blogue é, para mim, - e para muito boa gente, - um site para quem não sabe fazer um site, uma página que, apesar de tudo, tem a nossa marca e onde podemos dar este mundo e o outro a conhecer, o que vive em cada um de nós.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Backward at school (2)

Porque é giro ter os títulos das mensagens em inglês e porque continuo com o mesmo espírito de alegria e jovialidade, de identidade e cabeça no ar. E há músicas e letras que bastam para expressar esse estado de espírito.

"There is no way I'm looking for a boyfriend. There is no way I'm looking for a scene. I need to save some dough. I'm a working girl, you know. I'll fend attention off I keep to myself.
I love my room, I'm getting used to sleeping. Some nights I really like to lie awake. I hear the midnight birds. The message in their words. The dawn will touch me in a way a boy could never touch. Their promise never meant so much to me. You have been warned, I'm warned to be contrary. Backward at school, I wrote from right to left. Teacher never cared for me. Preacher said a prayer for me. God help the girl, she needs all the help she can get. I sit for hours just waiting for his phone call. I'll leave the chocolate hidden in the fridge. I'll play his messages. Analyze his intonation. Please stop me there, I'm even boring myself. I think of him when I'm doing the dishes. I think of him while looking in the sink. This ain't no play on words. My love for him is absurd. If he gave me a sign I'd think about it for a weekI'd build it up and then I'd turn him down!!!" God Help The Girl

sábado, 8 de maio de 2010

Backward at school (1)


Porque o exterior é importante e tudo começa por aí. Porque o interior é importante mas não chega!
Nos tempos de escola, eu era daquelas típicas miúdas tímidas. Sempre achei piada aos rapazes mais bonitos da escola, mais populares, e mais velhos que eu! Comentava isso em segredo apenas com as minhas amigas, se bem que hoje olho para trás e sei que qualquer um deles era capaz de perceber. Oh! Verdadeiras paixões platónicas, que por não terem passado disso, sempre soube resolver muito bem dentro de mim. Ainda bem que nenhum deles se quis aproveitar da minha ingenuidade!... Não se pode chamar a isto qualquer espécie de frustração, eu não deixei que chegasse a sê-lo, porque na verdade, eu sempre soube o meu lugar, e sempre entendi que os rapazes é que têm que se aproximar da miúda por quem estejam eventualmente apaixonados, e nunca o contrário (na verdade, também este é um saber de experiência feito)... Por outro lado, tinha perfeita consciência que as namoradas desses rapazes eram quase sempre sempre mais bonitas do que eu.
Porque o exterior é importante e tudo começa por aí. Porque o interior é importante mas não chega! Qualquer paixão, beijo, carinho, desejo de estar ao lado de outra pessoa, de ver e ser vista na sua companhia, só acontece relativamente a alguém que seja:
a) algo mais do que boa pessoa;
b) algo mais do que uma pessoa interessante.
A bondade e o interesse só se procuram em quem, antes de mais, nos despertar essa curiosidade. Porque o interior é importante, mas não é tudo. Porque como expressou António Variações: 'Quem feio ama bonito lhe parece, quem bonito tem não sabe se lhe pertence. Quem feio ama gosta de ter confiança porque a beleza nem sempre deu muita segurança.'

terça-feira, 4 de maio de 2010

Intemporal

Três minutos e meio. Eis o tempo que vale a pena dispensar para ver e ouvir até ao fim MONTE LUNAI. O álbum 'Intemporal' foi apresentado em Novembro na estação do Oriente. Ao vivo, os Monte Lunai são uma maravilha. No entanto, é com este vídeo que o transporte acontece.

Jam no Carmo

Sentava-me.
Os pés, somente, e os ombros, marcavam o compasso e balanceavam o ritmo com que a melodia enchia aquele espaço.
Admirava o baile tal como ele acontece. Admirava quem faz dele aquilo que ele é. Sou impelida a sorrir.
Recuperava mentalmente os tempos de antigamente, onde tudo era tão igual aos dias de hoje, igual em rituais, brincadeiras, sorrisos e conversas. Igual nas pessoas, nos interesses, na dança e na música.
Transporto-me realmente para outro tempo, mas exactamente no mesmo espaço, o largo do Carmo.
Anuncia-se o nome da música que aí vem, "a saia da carolina", organizam-se todos, e mal se faz sentir o violino, a magia dos sorrisos traduz-se em sequência: primeiro é uma postura, depois é a uma posição, depois são passos e rodopios simétricos numa magia que enche o meu coração.
Fico completamente contagiada pela vontade de dançar como eles, vou para a roda e, meio atabalhoada, lá ando de um lado para o outro sem destoar, prometendo, pela sexagésima vez, a mim mesma que irei ao primeiro workshop de danças tradicionais que tiver conhecimento. Ou ao Andanças...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vou com as aves

POEMA À MÃE

 No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou

O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras

Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo

São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas

Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,

Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;

Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -

Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração

Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:

Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,

E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.

Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves. 

Eugénio de Andrade

domingo, 11 de abril de 2010

Caritas


A CARIDADE DE CRISTO NOS IMPELE [...]
(2Cor 5,14)

A palavra caridade está muito ligada à fé cristã e aproxima-se de uma outra: a solidariedade. São no entanto diferentes. Etimologicamente, caridade deriva de 'caritas', que significa Amor. Para mim, tem portanto intrínseco algo mais do que 'dar uma esmola'. Importa a atenção com o coração dos outros e com as suas dificuldades, e a melhor parte é que isso pode realizar-se mesmo sem a ajuda monetária.
Eu acredito num Deus que é amor,
'Deus Caritas est', e acredito que cada um de nós pode ter a mesma caridade e atenção para com os problemas que nos são mais próximas, só assim viveremos em amor.
Deixo aqui o testemunho que tive hoje:


"No convite para a minha ordenação sacerdotal escolhi uma frase de São Paulo que diz: A Caridade de Cristo nos impele [...] (2Cor 5,14). É a caridade de Cristo, a Misericórdia do pai, que nos impele, que nos empurra e nos envia pelo mundo fora. É a força de Deus que me sustenta e me faz caminhar. Não obstante os meus limites e imperfeições, o amor de Deus envia-me continuamente.
(...) tenho de falar-vos da personagem dos evangelhos com quem mais me identifico. Que é para mim a figura do sacerdote. Não é ninguém conhecido, nem sequer sabemos o nome dele. É alguém insignificante, não desempenhou nenhum papel relevante. É uma criança, um simples miúdo. Aparece quando se fala da multiplicação dos pães. Quando Jesus diz aos apóstolos para darem de comer à multidão, André diz: "Há aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos." Este miúdo estava com a multidão. Foi o único a levar farnel.
(...) Ele estava contente por ali estar, admirava tudo o que se estava a passar e agora ia comer o seu farnel. É aí que lhe pedem para oferecer o que tanto gostava. Mas ele não hesita: o Mestre pede-lhe o farnel. Pela admiração que tem por Jesus oferece-lhe tudo o que tem. Certamente pensando: "o que é que ele irá fazer com os meus cinco pães e os dois peixes". E de facto, o que aconteceu foi um dos maiores milagres de Jesus: a multiplicação dos pães.
Para mim, ser sacerdote é oferecer a minha vida, o que sou, as minhas acções, os meus limites, o que faço, o que deixei de fazer, a vida das pessoas, os problemas, oferecer tudo isso a Deus. Sobretudo entregar a Deus tudo aquilo que mais amo. Não se perde, mas ganha-se de forma multiplicada."

Pe. José Maria
(pároco de Alverca,
que hoje se despedia para uma missão em Washington)





Unnatural selection - MUSE

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Estrada Real


(clicar para ver imagem)

Era pela serra do Açor que passava a Estrada Real. Situemo-nos. A serra do Açor integra a Cordilheira Central, a par da serra da Lousã e da serra da Estrela e abrange os concelhos de Arganil, Oliveira do Hospital e Tábua. O seu ponto mais alto está a 1400 metros de altitude, no Alto de Ceira.
A Estrada Real, hoje praticamente destruida, fazia, em tempos idos, a ligação entre Coimbra e Covilhã. Era ao cimo do Piódão que tudo passava: passavam os carros de bois dos mercadores que traziam do litoral o peixe e o sal, para levarem no regresso a carne, o queijo e os lanifícios destas terras do interior. Mas a ideia que fica é que as gentes destas terras sempre foram esquecidas, resumindo-se à riqueza da terra e das águas que por ali correm, à riqueza do seu trabalho para as sementeiras anuais que serviam para o seu sustento. Outros certamente à riqueza feudal pela posse das terras. No museu do Piódão, faz-se alusão às mulheres que demoravam dias a pé pela Estrada Real para levarem os ovos "fresquinhos" à cidade da Covilhã. Mas no fundo, a localização no fundo de uma serra era já sinónimo de isolamento, solidão, exclusão. Diz-se que era um local de eleição para refúgio de muitos foragidos da justiça. Diz-se que ali se acolheu o fidalgo Diogo Lopes Pacheco, assassino de D. Inês de Castro, o único que escapou à fúria de D. Pedro. Diz-se que ali se refugiaram figuras muito portuguesas, mitos e mistos heróis e criminosos como João Brandão e José do Telhado!
Só na década de 70 é que o Piódão se torna acessível com a abertura de uma estrada até à aldeia. Antes disso, a única estrada existente terminava a cerca de 12 Km, e nem sequer os carros de bois podiam chegar lá. Hoje, o alcatrão leva-nos até ao Piódão, mas as mesmas estradas serviram, inevitavelmente, para levar os filhos da terra.




"Com o protesto do corpo doente pelos safanões tormentosos da longa caminhada, vim aqui despedir-me do Portugal primevo. Já o diz das outras imagens da sua configuração adulta. Faltava-me esta do ovo embrionário"
Miguel Torga

sábado, 3 de abril de 2010

"Quando não há amor, não há tolerância"


Por vezes existem frases ditas no meio de uma conversa banal que, de tão óbvias, nos fazem pensar. Há como que leis escondidas a reger a nossa vida mas que nós ignoramos. De propósito. Fazemos de conta que não estão lá. Fazemos de conta que nada muda, nada acontece, e que dominamos a nossa vida, mesmo não fazendo nada para lhe mudar o rumo. Esse é o nosso primeiro erro. Pensar que a vida é uma fatalidade. Não o é. O amor também não é uma fatalidade e a tolerância muito menos. Pelo contrário, é tudo um jogo, um encadeado de consequências. És tu que escolhes! (Claro, a parte da vida mais parecida com um jogo é que há sempre uma parte que é aleatória, mas no essencial, se saltas na altura certa, apanhas o cogumelo!)
Assim que acaba o amor entre duas pessoas, deixa de haver tolerância, a vida torna-se aborrecida e a paciência para tudo o que diz respeito ao outro é um autêntico sacrifício. A presença do outro é indiferente e perdemos toda a simpatia e doçura que existiu. Mas se isto é verdade, não é possível amar alguém que não seja tolerante, ou que deixe de um momento para o outro, de o ser. Evidente: É a intolerância que gera intolerância. Que incapacita as pessoas para o diálogo, e a falta de comunicação cria insegurança, distância, insegurança. Mesmo quando se ama.
Pode parecer redundante, mas não há aqui qualquer semelhança com o título desta mensagem. Eu quero dominar a minha vida e por isso hei-de ser mais tolerante.
Sei, desde pequenina, que com vinagre não se apanham moscas, mas antes com mel, doçura e compaciência - (palavra inventada agora que apenas quer dizer que não se pode ser paciente sozinho, assim como nunca ninguém que se diz teimoso é teimoso sozinho, a não ser que seja maluquinho e isso tem outro nome) - dizia eu: Só se combate a intolerância com muito Amor. Amo-te!

Uma Feliz Páscoa. Aleluia. Aleluia.

sexta-feira, 26 de março de 2010

É notícia



Lisboa foi eleita o “Melhor Destino europeu de 2010 - A Escolha dos Consumidores”, deixando para trás Londres, Barcelona, Amesterdão, Praga e Copenhaga! Os critérios de eleição do vencedor incidiram em questões como a qualidade de vida e a oferta cultural e turística.
Fonte: ionline

domingo, 21 de março de 2010

domingo, 7 de março de 2010

Emenda



Para o Bastonário da O.A., os licenciados de Bolonha são... nada mais nada menos do que... bacharéis travestidos.
"Há muita gente preocupada mas tem de ir [a exame]. Porque podem entrar para estágio licenciados em Direito, mas não bacharéis travestidos de licenciados, o exame nacional de acesso vai ser feito para os licenciados com menos de cinco anos" diz Marinho Pinto à Lusa.
MAS O QUE ELE DIZ NÃO SE ESCREVE!

E para que eu própria não me esqueça de tudo isto, pelo menos até ao próximo dia 30:
. direito constitucional,
. direito criminal,
. direito administrativo,
. direito comercial,
. direito fiscal,
. direito das obrigações,
. direito das sucessões,
. direitos reais,
. direito da família,
. direito do trabalho (e ainda...)
. direito processual penal,
. direito processual civil,
. processo do trabalho,
. procedimento administrativo,
. processo tributário.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Bolonhesa


O mundo dos juristas subdivide-se, hoje, tal como a Biblia, em duas eras: a.B. e d.B., isto é, antes e depois de Bolonha. Agora existem licenciados à bolonhesa sobre os quais recai o estigma da nova Era.
A Declaração de Bolonha, assinada em Junho de 1999, por 29 Estados europeus, propôs-se concretizar um verdadeiro "Espaço Europeu de Ensino Superior". Como? Ponto 1. Através de um sistema de graus de equivalência semelhantes em todos os países, de modo a que uma licenciatura se resuma a um xis número de créditos, cá e lá... No entanto, a verdade é que um curso será sempre diferente consoante for tirado cá ou lá, nesta ou naquela Universidade, e a instituição de ensino continuará a ser o que realmente importa. Ponto 2. Também proclamada continua a ser a mobilidade internacional dos estudantes. No entanto, continua a representar uma minoria, e a qualidade de todos os estabelecimentos de ensino não é, de resto, uniforme.

Era uma vez uma Faculdade de Direito, a maior e a melhor de todas as faculdades de Direito de um país. À medida que o Governo aprovava leis e implementava medidas que obrigavam a reestruturar os cursos, aquela Faculdade de Direito tinha muitas reservas ao processo de Bolonha e continuava a acreditar que a ela nada seria exigido. Aquela faculdade assistiu, impavidamente, às Reformas dos cursos de Direito de todas as outras faculdades daquele país, públicas e privadas. Vivia-se então a esperança (quase que uma fé) de que o Curso de Direito ia ser uma excepção a Bolonha e se manteriam os 5 anos de licenciatura. Isso não foi possível. Estava eu no fim do 2º ano. Faltavam-me portanto 3 para terminar o curso. Acabei por fazê-los apenas em 2 anos, e fomos os primeiros licenciados da FDL de 4 anos.
Ter feito 2 anos em regime antigo e 2 anos em regime de Bolonha faz-me sentir assim uma espécie de João Baptista. Aquele que anunciou o nascimento de Jesus e depois foi seu seguidor, tendo vivido, como tantos outros, antes e depois de Cristo.
"Artigo 9.º-A
Exame Nacional de Acesso ao Estágio
1 - A inscrição preparatória dos candidatos que tenham obtido a sua licenciatura após o Processo de Bolonha, será antecedida de um exame de acesso ao estágio, com garantia de anonimato, organizado a nível nacional pala CNA, ou por quem o Conselho Geral designar.
2 - O exame nacional de acesso será constituido por uma prova escrita e incidirá sobre uma das seguintes disciplinas: de direito constitucional, direito criminal, direito administrativo, direito comercial, direito fiscal, direito das obrigações, direito das sucessões, direitos reais, direito da família, direito do trabalho, e ainda, direito processual penal, direito processual civil, processo do trabalho, procedimento administrativo e processo tributário."

Para este e para outros efeitos,
eu sou uma licenciada à bolonhesa,
e ainda me hei-de orgulhar disso...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

DESCOBRINDO


Já lá vai muito tempo que penso em escrever aqui qualquer coisa sobre os modos de associativismo, e sobre aquelas pessoas que estão sempre do lado de fora, as pessoas que desdenham o projecto alheio como se não houvesse amanhã, e que no fundinho de si, desejam que nada construido pelos outros possa seguir em frente. Quem conhece a realidade de Associações em meios pequenos, sejam eles rurais ou urbanos, sabe do que estou a falar, e consegue idealizar na perfeição o tipo de pessoas a que me refiro. Os do Contra! Mas vou deixar este tema para uma outra altura.
Hoje, neste espaço, não posso deixar de divulgar um projecto associativo recente encabeçado por um colaborador deste blogue. Um amigo com os pés assentes na Terra e cujas suas próprias raízes não menospreza. Nos dias de hoje, há que saber dar importância às pessoas que se mexem e que se movem por ideias! O trabalho de associativismo, o dinamismo por aquilo em que se acredita, e tantas vezes se acredita sozinho!, é uma qualidade inestimável. Um exemplo!

A DESCOBRINDO - ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL apresenta-se através do numero zero da sua Revista, que fiz questão de receber em minha casa: Solstício. Apresenta-se para já também em Blogue. A DESCOBRINDO é uma associação sem fins lucrativos com sede na Soalheira e que pretende actuar no território sul da Serra da Gardunha, ali abarcando 12 freguesias, a saber: Alpedrinha, Atalaia do Campo, Castelo Novo, Lardosa, Louriçal do Campo, Mata da Rainha, Orca, Póvoa da Atalaia, Póvoa do Rio de Moinhos, São Vicente da Beira, Soalheira e Vale de Prazeres. A DESCOBRINDO propõe-se motivar e formar a população para a criação de projectos inovadores, valorizando a identidade dos recursos, os lugares, produtos e saberes daquela região. O plano de intervenção passa assim pela promoção do património natural, histórico, cultural, agrícola, social e humano, daquela que consideram ser a identidade da verdadeira Beira Baixa.

Como eu não sou do Contra, desejo aqui sinceramente toda a sorte para este projecto!
E como não podia deixar de ser, fica aqui aquele que é, para mim, o mais recente "Hino" de homenagem e de ânimo ao Associativismo e às ideias que o fazem viver, sabendo que ele é feito de altos e baixos, de avanços e recuos, mas sempre da vontade de quem acredita em si e nos outros.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Persisto

Persisto,insisto
Nesta forma complexa de existir
Olho à volta à procura de mim
E não estou lá, nem aqui

Então tu vens
Amor que eu não conheço
E mesmo chegando tarde de mais
Ao que resta de mim
O meu corpo é teu
Ou o que dele não pereceu
E esta noite sem fim
É loucura desmedida

Mas persisto, insisto
E chego ao fim
Acabo
E deste pó que ora sou
Hei-de um dia renascer.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Ignorante ousa mais

Foto: O IGNORANTE OUSA MAIS

Parece que "Fernão Veloso" (quem é Fernão Veloso??!) percorreu ruas e lugares em Janeiro de Cima, e que
conhece bem cada uma delas. Pela maravilhosa descrição e pelas fotografias, vale
a pena visitar esta ligação: O IGNORANTE OUSA MAIS.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Lês todos os livros que citas?!



Lês todos os livros que citas?
Ou citas todos os livros que lês?


Citações, frases feitas e já pensadas, "mastigadas". Como quando estudava no 6º ou 7º ano, altura em que me lembro de ler certas frases nos manuais, que me ficavam na cabeça de tal modo que repousavam direitinhas numa resposta de um teste, tal era a sabedoria adquirida. "Antigamente, as crianças eram uma fonte de receita para as famílias, hoje em dia são antes uma fonte de despesas..." era apenas um dos casos da disciplina de História e Geografia. Antigamente, quando? E o que é ser uma fonte de receitas? Acho que só hoje, aos 21/22 anos, altura em que ainda sou uma fonte de despesas, é que percebo o significado daquelas frases quando o meu pai me conta a sua própria história de vida, e a dos meus avós.
Penso ser apenas um exemplo de como funciona o conhecimento das pessoas normais, isto é, precisa de muito tempo para se consolidar. Raramente entendemos com toda a propriedade aquilo que lemos ou ouvimos pela primeira vez. Tenho tido nos últimos tempos o desafio da escrita de um trabalho académico e a tarefa de investigação até tem sido produtiva. O meu problema - para meu próprio espanto - é mesmo o trabalho de criação, de escrita. Iniciar um texto feito por mim, através necessariamente do meu modo - cru e tenrinho - de olhar para o conhecimento e sobretudo expressar por escrito as ideias sobre as quais já se debruçaram quase todos os doutores catedráticos. Uff! E em cada livro que aparece nas minhas referencias bibliográficas, fui beber apenas o que considerei essencial. Quando aparece já expressa uma das ideias que parece descrever exactamente o MEU entendimento, é como que uma ousadia invocá-lo. E discordar?! Discordar pode ser fácil mas juntar letras à máquina explicando as razões e depois imprimi-lo. Ui! Na verdade, a escrita demora sempre mais do tempo que eu tinha previsto para escrever, e a reflexão que vou fazendo também. As citações, devidamente identificadas, ajudam por isso a formar o raciocinio, sendo certo que será sempre a minha visão do (pouco) que conheço.

Partilha

Falemos. Não daquela partilha que ensinamos aos miúdos quando têm um novo brinquedo. Não daqueles actos de partilha, por solidariedade social, de que se fala sempre na época do Natal. Não, ainda, da partilha dos corpos. A minha teima hoje é um bocadinho (não muito) mais profunda. Pelo menos não é vísivel. Muito menos é palpável. São experiências, vivências e emoções partilhadas a dois.
Nada de grandes feitos, nada de muito (muito) diferente. Ontem decidimos atravessar o rio e ir até ali ao distrito de Coimbra para uma noite de fados (de Lisboa), e damo-nos conta que em possivelmente setenta a setenta e cinco por cento das nossas saídas, houve fado. Mas partilhar experiências, vivências e emoções não é nada fácil. E no entanto, eu quero beber do teu olhar, ver tudo com as tuas mãos, respirar as coisas diante de mim com a tua sensibilidade. A verdade é que oiço com a minha imaginação cada uma daquelas cantigas, e onde o fadista prolonga a voz com uma virgula repenicada, reina no meu coração o silêncio das guitarras e o trinar da melodia. Não importa a voz, importa o sentimento, e a prova disso é que o cantor tinha uma voz estonteante (qual Luciano Pavarotti), assim ao jeito dos fados de Coimbra, mas a técnica com que se preocupava a cantar não o deixavam - pareceu-me - sentir o que estava a fazer. Mas se o artista não consegue passar sentimento ao seu público não é por isso que deixamos de aproveitar o encanto que é a música ao vivo, com mais ou com menos esforço. É certo que quem canta não tem de corresponder ao modo como cada um sente. Ele será sempre - apenas e só - um intérprete de um poema e de uma música, e a música é quase sempre muito mais do que isso. Sei que também pensas assim. Sei porque estou ali, ao teu lado, e como que oiço os teus comentários quando olhamos um para o outro. E gosto tanto de ali estar. De nada havia de me valer um grande espectáculo, numa sala nobre, se a minha companhia não fosse a tua, e se não tivesses o modo de ser e o modo de estar que te conheço. Mas desta vez foi especialmente tranquilizante, promissor, estimulante, desafiante, e nada disto deixou de ser partilhado!