'Agora que os homossexuais se podem casar em Portugal, faz-me ainda menos sentido casar-me', comentávamos nós no outro dia pela manhã, quando os pensamentos fluem sem qualquer nexo de homenagem à racionalidade. Já o pensava antes e a perspectiva é obviamente pessoal, sou eu e os meus objectivos individuais e não pretendo nunca pensar muito para além desse horizonte, pelo menos nesta sede, aqui e agora. Mas casar não é essencial. E não é porque esteja fora de moda, nem pelo preço da 'boda', nem pelo que comem os convidados... O essencial é estarmos bem com aqueles que mais amamos e isso implica mais do que duas pessoas, isto é, bem com o companheiro, com a família e com os amigos. Se todas estas pessoas aceitarem aquilo que eu decido para mim, estará tudo bem entre mim e o mundo. Sim, claro que quero ser feliz para sempre, e até gostava de me casar vestida de branco, só que gostava que isso fosse na sala lá de casa, onde hei-de ter o meu santuário, seguindo-se um jantarinho em família. Uma coisa privada portanto.
Várias pessoas (Santana Lopes aqui, José Policarpo e o eleitorado católico ali) se apressaram a dizer que com a promulgação do CPMS, Cavaco Silva defraudou as expectativas dos seus eleitores, e que depois disto dificilmente será reeleito. Disparate.
Já tinha falado do CPMS neste blogue. Faço parte daqueles que entendem que o Casamento é um contrato entre homem e mulher, mas não faço disso uma bandeira. Considero que seria preferível uma solução como a encontrada no Reino Unido, o Civil Partnership, um sistema de direitos e responsabilidades em tudo semelhantes ao casamento civil, incluindo as responsabilidades parentais.
Sou a favor de todos os direitos.Gosto da terminologia tradicional, mas não sou tradicionalista.
E por isso, ainda bem que hoje existem mais portugueses felizes em Portugal. Ainda bem se a nova lei der um passo importante para a progressiva abertura das mentalidades à diferença, e servir para travar a descriminação. Ainda bem que esta matéria não teve que ser reapreciada pelo parlamento de uma forma despropositada e desproporcionada. Ainda bem que o PR não usou o veto político. A decisão de promulgação do diploma foi, nas palavras do PR (aqui), uma decisão acima das suas convicções pessoais . Eu faria o mesmo, porque não pesa na consciência, mesmo que não se concorde. E viveremos todos felizes para sempre, enquanto povo.
















