"- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão..."
Os Maias

sábado, 24 de outubro de 2009


ENSINA-ME A VOAR

Eu sei que as leis e os decretos te ocupam bastante tempo... e mais ainda as outras coisinhas!
Mas "olha": Escreve, vai escrevendo, não deixes passar tantos dias sem dar notícias. É que na verdade, os teus pensamentos são um conforto em certos dias, quando julgamos não haver mais ninguém a querer voar como nós, E NÓS...SOMOS UM TODO, um todo desejado em partilhar. Da minha parte, e agora que desabafei, partilharei a partir de hoje as minhas desavenças filosóficas.

"POR NATUREZA TODOS OS HOMENS DESEJAM VOAR"
Leonardo da Vinci
És maravilhosa...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Que a vida é toda secreta*

Há um curso de águas paradas
Uma esperança à espera de o ser
Há um caminho trilhado por ninguém
Um jardim de flores por nascer

Um coração para arrancar de um peito
Uma saudade que corrompe o presente
Um futuro que nunca irá ter fim
E um corpo que só a dor consente

Lua cheia num céu vazio de estrelas
E o arrepio de uma noite sem ti
Haverá isto, e tudo o mais também
Que a vida é toda secreta ... por aqui

(Helder Salvado)

* Verso do poema Soledad de Cecília Meireles

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ladrão que rouba ladrão...

Afinal não tem 100 anos de perdão. Também ele comete um furto.
Mas contra quem? A questão era saber se a mera detenção de uma coisa é, em si, tutelada pelos tipos de crime contra a propriedade, nomeadamente pelo furto. Na verdade, o primeiro ladrão não tem nem a propriedade, nem qualquer tipo de fruição legítima do bem. Mas ainda que a coisa não seja dele, a detenção dele - seja a que título for - deve ser considerada para efeitos de preenchimento do crime de furto. Deve?! O regente da cadeira insistia que não. Para ele, a detenção nunca tem relevância de modo autónomo, mas só quando "em linha" com quem detém o direito de propriedade, que é o bem jurídico tutelado. Significa dizer, suponho, que o segundo ladrão está a furtar, sim, mas ao verdadeiro proprietário, sendo que só este tem direito de queixa. Exactamente, foi isso que percebi. Mas não sei se assim é. E se isto é um caso académico, posso discorrer. No caso de, eventualmente, o primeiro ladrão se arrepender - isto é, 'mudar de tenções' relativamente ao destino a dar à coisa furtada -, deveria ele próprio poder apresentar queixa. Ele era detentor, e ele foi furtado! Até porque, para todos os efeitos, foi sobre ele que naquele momento se quebrou, publicamente, a ordem de relações criada entre as pessoas e as suas coisas. Designadamente para o efeito concreto de levantamento de auto de notícia por parte de autoridade judicial, se for esse o caso.
Ora, sustentando a sua posição, dizia o regente que para a posição contrária seria forçoso admitir então que o proprietário que fosse reaver a sua coisa do ladrão poderia estar ele próprio a cometer um furto, vendo o ladrão como a vítima deste furto. E que seria como ver alheia uma coisa que, afinal, é própria. Não colhe. O meu raciocínio de imediato foi constatar que, nesse caso, nem sequer está preenchido o elemento "alheio", sendo que a coisa é do proprietário, razão que - simplesmente - explica o não preenchimento do tipo de crime.
"Quem, com legítima intenção de apropriação para si ou para outra pessoa, subtrair coisa móvel alheia, é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa."
Certamente estarei errada, mas hei-de estudar o assunto e, quem sabe, reflectir melhor sobre ele.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Simples




«Bem amiga, vou sair.
Pode ser que amanhã quando acordarmos os problemas do mundo tenham desaparecido.
LOL
Os nossos dramas pelos menos, vá...»

Dito por volta da uma da manhã, por alguém que normalmente me costuma encher o coração. Para tanto, bastavam as memórias que guardo desde a infância. Dos tempos em que ao sair da escola primária, compunhamos um melodia para os poemas que encontrávamos nos livros de língua portuguesa, bem como coreografias para as músicas já conhecidas. Dos tempos em que arranjavamos desculpa para ires ver o meu cantinho das barbies. Nunca ninguém me conhecerá tão bem como alguém que tenha brincado comigo às barbies, e sobretudo alguém que soubesse brincar às barbies, coisa que hoje em dia, a ver pelas crianças que passam lá por casa, não é comum. As barbies já estão na minha gaveta, mas a verdade é que fazemos questão de construir juntas novas memórias.
Não se pode desperdiçar alguém que conhecemos desde sempre!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Aparição

Hoje vi-te. Olhei para ti verdadeiramente. Apareceste de repente, já noite, mas não te soube dar a devida atenção. Quando os problemas nos absorvem, o raciocínio fica prejudicado pela maneira egoísta e pobre como olhamos para o que nos rodeia, mesmo que isso possa ser a coisa mais importante que temos na nossa vida. Que interessa isso quando, absortos, nada mais existe senão o mundinho de pluri-evidências, nas quais pensar e repensar já não leva a porto nenhum. A verdade é que há momentos em que devemos estar sozinhos e em que o confronto com o outro - quem quer que seja - não nos favorece. Pelo contrário, de mim falo, elevam mentalmente cada defeito, cada preocupação, e para minha revolta, aumentam o volume de cada suspiro de que tenho vontade. Se abrir a boca, o que nestes momentos se torna um esforço imenso, e até uma busca de respostas simples a perguntas simples, será certamente para lamentar-me, como se o outro não estivesse ali, sendo que o mais certo é remeter-me ao silêncio pesado que sei que o meu rosto carrega. O diálogo que possa estabelecer-se então, não deve conter mais do que uma ideia - uma ideia simples - de cada vez, para que eu me matenha paciênte, e para que o meu espírito não se distraia comigo própria. Inevitávelmente, fico impaciente e nervosa. E tu estás ali, e não te vais embora sem que eu te diga que podemos ir. Quando fico sozinha percebo que te podia ter dado mais um beijo, e que talvez isso chegasse para te consolar - a ti e a mim. Não consegui ser coerente, nem consigo parecê-lo, quando penso e várias coisas ao mesmo tempo, sem que nenhuma delas seja o momento que nos está a acontecer. Não te vi, na verdade.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Fogo na noite escura

Eremita de sonhos cansados
Claustro incompleto à espera do fim
Dono de uma alma em contrabando
Em múrmurios e preces pelo nada

Tudo acaba sem dados lançados
O meu começo foi o prenúncio do meu fim
Que pela estrada já vai chegando
A serpente e o veneno que mata

Vou caminhando na escuridão
Descendo as águas do rio que não me conduz
Que este caminho é poeira e solidão
Beco ou impasse que não seduz

Este caminho é poeira e solidão
Sangue que já estancou no coração
Num peito ainda em chama
Por este fogo que eu pus

(Salvado)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Agir

"Agir, eis a inteligência verdadeira.
Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for.
O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito.
Condições de palácio tem qualquer terra larga,
mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?"
Fernando Pessoa

domingo, 4 de outubro de 2009

Shhhhhiu

Não opines.
Não interrogues.
Cala.
O melhor do relacionamento entre duas pessoas e entre o mundo em geral pode mesmo traduzir-se num silêncio.
O cuidado de não ferir o outro e a desnecessidade de impor o nosso ponto de vista quando não é preciso é uma finesa que nem toda a gente consegue ter.
Exige uma sensibilidade apurada que raros seres humanos atingem, e que a convivência em sociedade implora.
Cheguei a defender, dogmaticamente, que tudo se pode dizer, dependendo do modo como se diz. Das palavras escolhidas e até da entoação com que se dizem.
É um erro.
Aqui, e em jeito de prece: 'Há coisas que não se podem dizer'.
Simplesmente.

sábado, 12 de setembro de 2009

Metamorfose

"Quando Gregor Samsa despertou uma manhã na sua cama de sonhos inquietos, viu-se metamorfoseado num monstruoso insecto."

Como lidamos com as diferenças dos outros são as impressões que ficam da história de um caixeiro-viajante, que é levado a viver a sua vida como um insecto. As suas preocupações e a repugnância dos seus. Escrita em 1912, e contextualizada pelo Existencialismo, é o choque da família e o confronto que nem todos conseguem ter com Gregor que leva a crer que a vida humana não é mais do que a sua forma. Como seria se, afinal, cada um de nós não fosse aquilo que os nossos esperam de nós? Se não tivessemos a forma de uma vida humana? Mas, ainda assim, a nossa existência permanecesse intocável? Com pensamentos e preocupações, sem que os outros soubessem disso?

"O pai, transtornado como estava, nao percebia que era necessário abrir o outro batente da porta que estava fechada para que Gregor pudesse passar à vontade. Não o dominava senão uma ideia, a de que Gregor devia regressar àquele quarto tão depressa quanto possível. Nunca deixaria Gregor efectuar todos os movimentos necessários para erguer o corpo em altura e deste modo passar a porta. Pelo contrário, como se isso não representasse qualquer obstáculo, empurrava Gregor, aumentando o barulho que fazia. Para este, o que ouvia atrás de si, já não era unicamente um único pai: não era ocasião para brincadeiras e Gregor, desesperadopassou pela abertura da porta à força. O seu corpo ergueu-se de um dos lados, e passou de viés, com o flanco todo esfolado, sujando o branco da porta com feias manchas; mas logo ficou entalado, de tal modo que não conseguia sair dali - de um lado, com as suas pequenas e trémulas patas suspensas noa ar, enquanto que do outro lado se encontravam esmagadas contra o chão -, se não fosse o pai a dar-lhe por trás um golpe com violência verdadeiramente libertadora, fazendo-o voar até meio do querto, sangrando com abundância.
Logo a seguir a porta foi fechada com um golpe de bengala, após o que caiu o silêncio."

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

domingo, 6 de setembro de 2009

Folk Festival - Aconteceu.

O Festival Folk - SONS 09 - decorreu com a maior das naturalidades, no verdadeiro sentido da palavra naturalidade, e o parque fluvial de Janeiro de Cima tornou-se um espaço de convívio como não via há muito tempo. Entre conhecidos e desconhecidos, ficcionados e curiosos, ninguém ficou indiferente às melodias de sempre, portuguesas e não só, que tomam uma nova vida a cada dança de roda e a cada troca de par. As minhas Andanças têm apenas um ano. Até agora contabilizam-se dois Festivais SONS em Janeiro de Cima, uma Jam no Largo do Carmo e um concerto no Terreiro do Paço. Sempre tentei observar para poder dançar. E dancei! Mas em jeito de promessa a mim mesma: Hei-de aprender a dançar assim, e fazê-lo uma noite inteira!! Encontrar pessoas que aqui estiveram no ano passado e que em Lisboa encontrei em eventos semelhantes, conversar com pessoas daqui, mas que só nestas ocasiões temos oportunidade, e conhecer. Na verdade, não gosto muito de me dar a conhecer, mas adoro conhecer pessoas, e o festival foi, para meu encanto, uma caixinha de boas surpresas.
Voltem sempre! Uma vez por ano, vá.
Para quem não faz ideia do que perdeu.... Nada como uma boa galeria de fotos, AQUI. Existem também as fotos do ano passado ALI.

domingo, 30 de agosto de 2009

Alto Douro Vinhateiro

E que tal um Cruzeiro?! Eu adorei. E quando a expectativa é grande, sabe tudo muito melhor. Mil vezes melhor que um dia inteirinho de praia. Portugal tem recantos admiráveis, que se estendem ao longo de todo um rio, entre o Porto e Barca de Alva. O que mais impressiona, para além da paisagem, é a riqueza daquelas Terras e o trabalho dos novos e dos antigos para que das ingremes encostas se exportasse um produto dos Deuses. Ponto assente: o meu embarque em Peso de Régua há-de repetir-se.



"Primeiro a serra semeada terra a terra nas vertentes da promessa. Depois o verde que se ganha ou que se perde quando a chuva cai depressa. E nasce o fruto quantas vezes diminuto como as uvas da alegria, e na vindima vão as cestas até cima com o pão de cada dia. Suor do rosto pra pisar e ver o mosto nos lagares do bom caminho. Assim cuidado faz-se o sonho e fermentado generoso como o vinho. E pelo rio vai dourado o nosso brio nos rabelos duma vida. E para o mundo vão garrafas cá do fundo de uma gente envaidecida. (...) Por isso há festa, não há gente como esta quando a vida nos empresta uns foguetes de ilusão. Vem a fanfarra e os míudos, a algazarra, vai-se o povo que se agarra pra passar a procissão. E são atletas, corredores de bicicletas, e palavras indiscretas na boca de algum rapaz. E as barracas mais os cortes nas casacas, os conjuntos, as ressacas e outro brinde que se faz. Vinho do Porto, vou servi-lo neste cálice, alicerce da amizade em Portugal. É o conforto de um amor tomado aos tragos que trazemos por vontade em Portugal. Se nós quisermos entornar a pequenez, se nós soubermos ser amigos desta vez, não há champanhe que nos ganhe, nem ninguém que nos apanhe porque o vinho é português."

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sons 09

Festival Folk em Janeiro de Cima - 4 a 6 de Setembro
«Um rio convida estendendo o ar fresco que cativa nas tardes quentes, um programa recheado e aberto a imensas caras alegres no regaço de uma serra que acolhe. Será assim a segunda edição do Sons09 em Janeiro de Cima, aldeia-casa no Fundão.
Primeira pedra de uma iniciativa que se estenderá nos anos e que nos levará numa viagem incrivel pelos recantos das aldeias do xisto, o Sons09 será o momento de retomar memórias de 2008 para uns e excusa soberba para arrecadar recordações para todos. Setembro receberá melodias de sempre quando o primeiro fim de semana chegar.»
(Mais informações em
http://www.sons09.rodobalho.com/)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dignidade


Ele há gente capaz de estar sempre no seu melhor, e gente que consegue ficar sempre bem na fotografia, e gente que consegue rodopiar sem tropeçar, gente que impressiona todos os que neles descansam o olhar, sem que isso canse. Ele há gente que consegue despertar inveja no modo de vida que aparenta levar, por tudo o que conseguem fazer, e por tudo aquilo que têm, e por tudo aquilo que os ornamenta.
No Verão, altura em que, vá se lá saber porquê, todos estes sintomas se intensificam, as pessoas parecem ter os interesses completamente ofuscados pela futilidade e pela sensação do curto prazo, do agora, do consumo, do belo, do melhor-que-o-do-vizinho, da hipocrisia. Só que na maior parte dos casos essa não há ali, afinal, uma prespectiva consolidada de tudo o que faz. Faz-se assim... Ao Deus dará. E acredito piamente que ao deitar, reine no coração dessa gente um vazio de ideias. Porque o coração, sim, deve ter ideias. Deve saber o que faz. Deve, pelo menos, dar sentido àquilo que faz. Quando assim não acontece, não há uma explicação digna para os actos que tomamos. Nada de confusões!!! Seguir os instintos mais primários não é seguir o coração. DIGNIFIQUE-SE.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ai,rapaz!

Se tu soubesses bem como é que eu fico quando vou ao bailarico e te miro a dançar à marcial... Já tentei dançar assim também a esse ritmo, cada passo com sentido e eu nem gosto de marchar. Mas quem me viu?! Ai, rapaz, mas eu queria uma valsa a três passos, dar-te a mão e ver a vida, agarrada a teus braços, ai... Fui-me pôr sentada mesmo à frente e ali esperei... A tantos eu neguei o prazer da minha dança, QUE ERA SÓ TUA... Mas o bar também chamou por ti, num entretanto, a banda ia tocando e quando tu de lá voltaste, A VALSA ACABOU! Ai, rapaz, mas eu queria ir na roda e ser teu par! Dar-te a mão, ir na folia e não mais a te largar. Foi então que a roda se fez, ao largo, larga tanta gente, muita farra e nós ali na multidão, COM OUTRO PAR! Fui passando par a par, nem sei quantos ao certo e tu cada vez mais perto e quando só faltava um, VEIO O LEILÃO! Ai, rapaz, o que eu queria era um baile bem mandado que nos guiasse à sacristia e voltássemos casados. E do palco surgiu uma voze a concertina: "Roda manel, vira maria e quem não vira perde a roda! E eu virei! Mas a voz, puxada à concertina, mais pedia e acelarava a melodia, os pés trocavam-se no chão. E assim foi... Ai, rapaz, e foi o baile, sem alma nem coração mal cantado e mal mandado que me atirou ao chão. E foste tu a dar-me a mão.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sons 08

No ano passado foi assim:

(clique na imagem)

sábado, 1 de agosto de 2009

Casamento

O advogado de Teresa & Helena, as duas mulheres que lutam pelo casamento civil entre homossexuais, funda o recurso ao Tribunal Constitucional, entre outras coisas, com o seguinte: "O artigo 36 da Constituição diz que "todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade". Pelo que alega a contradição com o Código Civil onde refere que o casamento é um contrato entre pessoas de sexos diferentes.
No entanto, isto só por si não demonstra haver desigualdade, no verdadeiro (e juridíco) sentido do termo. Com efeito, hoje no DN: os constitucionalistas Bacelar Gouveia e Paulo Otero defendem que não existe contradição entre a Constituição e o Código Civil. Os especialistas adiantaram ainda que para legalizar o casamento entre homossexuais não é preciso mudar a Constituição, basta alterar o Código Civil. Até aqui tudo bem.
Como não podia deixar de ser, "O conceito de casamento utilizado na Constituição é o da tradição judaico-cristã, que se baseia na união entre pessoas de sexos diferentes. O que pode haver é outra designação para as uniões entre pessoas do mesmo sexo", considera Paulo Otero. O professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa acrescenta ainda que "a Constituição não impede que se chame união ou união estável, mas para isso tem de haver uma alteração do Código Civil". Nada de novo, portanto.
No Acordão do Tribunal Constitucional, que decide a vida de T e H, datado de 9 de Julho de 2009 pode ler-se: "...se o legislador constitucional pretendesse introduzir uma alteração da configuração legal do casamento, impondo ao legislador ordinário a obrigação de legislar no sentido de passar a ser permitido a sua celebração por pessoas do mesmo sexo, certamente que o teria afirmado explicitamente, sem se limitar a legitimar o conceito configurado pela lei civil". Com razão.
E acaba por aderir a um conceito de casamento que, efectivamente, vigora, vive nos seguintes termos: "Em face da definição de casamento em vigor é ainda possível encarar este último como uma união completa entre um homem e uma mulher orientada para a educação conjunta dos filhos que possam ter; a definição do casamento pretendida pelas recorrentes encara-a como uma relação privada entre duas pessoas adultas que visa essencialmente satisfazer as necessidades próprias. Só assim se explica, aliás, que as recorrentes tenham chegado a enquadrar a sua pretensão à luz do princípio da liberdade contratual, previsto no artigo 405.º do Código Civil."
Em cinco juízes conselheiros, dois votos de vencido.
Com efeito, a questão vai sendo debatida ao nível da doutrina e da jurisprudência.
Ao nivel político e decisório, prima a falta de oportunidade, e passa com enorme volatilidade a prioridade e o caráter de urgência, conforme as vontades dos lideres partidários, e das agendas mais ou menos vazias de cada um. Sem pressa. Consolide-se.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Namorico da Rita


Sabem todos que lá vão que a Rita gosta do Chico.

E há quem diga à boca cheia, que depois de tanta fita,

o Chico de volta e meia, prega dois beijos na Rita!

Onde é que eu já ouvi isto?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A minha licenciatura

"O SUCESSO ENCORAJA-OS:
ELES PODEM PORQUE PENSAM QUE PODEM"

Virgilio, Eneida


Eu até sei que tenho uma estrelinha da sorte, uma espécie de varinha mágica que me acompanha para todo o lado. Não que a traga pendurada ao pescoço, não que a traga na minha mala. Mas sinto-a. Mesmo nos momentos em que tudo parece desmoronar, naquelas horas em que não tenho a certeza das minhas capacidades. Confio em algo ou alguém que sei que está por ali. E se eu fizer a coisa certa, não me vai deixar pendurada. É certo e sabido que tudo vai correr bem. E no seu tempo. Nada de pressas nem de pressões. Nem depressões. Nem de tristezas. Nada de pensamentos negativos. Porque encarar a vida com um sorriso é abrir portas e janelas. Sim, é "meio caminho andado". É uma maneira de passar pela vida, sem sofrer demasiado com as dificuldades que sentimos quando de manhã acordamos. Porque um obstáculo logo pela manhã, pode fazer-nos lidar de maneira diferente com aquele problema que de repente nos aparece ao final do dia, e que temos de resolver. Quando há uma recompensa, por mais pequena que seja, essa conquista é um triunfo, que há que salvaguardar, e retirar dele o máximo proveito. Reanimar as tropas e continuar a ser o que tenho sido. A palavra de ordem é "capacidade", que se concretiza com trabalho e com alegria. E que me faz acreditar que eu CONSIGO. E consegui. Mas nada disto nasceu comigo. Aprendi. Tentei. Errei. Estou aqui.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Batem leve levemente

Como quem chama por mim. Será chuva, será gente? Gente não é certamente, e a chuva não bate assim...
Fui declamar este poema na escola primária, numa festa de Natal para os pais, como era habitual no Centro Paroquial. E foi dele que me lembrei ao ver a chuva lá fora, no Pelourinho. Na cidade onde costuma nevar, a chuva não é igual aos outros sítios. Não cai. Acho que baloiça no ar e não chega a cair. Numa sala escura, contra a parede e em busca de acórdãos que me socorram, nem reparo que é a chuva que me acompanha, e que também ela se deixa andar sem avançar, sem se fazer notar, mas com uma presença simples, que existe por simplesmente existir.
A NEVE

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...

É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– e cai no meu coração.


Augusto Gil - Luar de Janeiro, 1909

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Covilhã, cidade neve (II)


É ao som dos adufos que se pode sentir um pouquinho da alma beirã, que a fadista Amália Rodrigues conhecia tão bem. Como quem é destas terras, como todos os que vão sem voltar, a sonoridade é aquilo que em qualquer parte nos transporta às origens, como se em nós morasse, para além de nós mesmos, todo um conjunto de pessoas, antepassados, gente daqui. Ao som dos adufos, sente-se uma alma beirã e a vida da gente que faz por ela. Com o sangue novo de quem gosta de por aqui estar. A Covilhã é a cidade Rainha, encostada à Serra que lhe serve de suporte, e descansa perfeita e serena. Já não se ouvem teares, nem se conhecem pastores de profissão. Mas ainda se sente, nesta cidade, um movimento que encanta. Saberes que se sabe existir, testemunhos da história que vive em monumentos.
Verdadeira cidade Flor à beira dos montes hermínios plantada.

Mas como não existem lugares perfeitos... o destaque desta semana vai para: OS MEUS PONTOS DE EMBRAIAGEM, também eles em fase de Estágio de Verão, nestes altos e baixos até à Praça do Município.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Covilhã, cidade neve (I)

Amália Rodrigues (clique para ouvir)



Covilhã cidade neve
Fiandeira alegre e contente
És o gesto que descreve
O passado heróico e valente
És das beiras a rainha
O teu nome é nome de povo
És um beiral de andorinha
Covilhã tu és sangue novo

De manhã quando te levantas
Que briosa vais para o tear
E os Hermínios tu encantas
Vestem lã para te namorar
E o pastor nos montes vagueia
Dorme à noite em lençol de neve
Ao serão teces longa teia
Ao teu bem que de longe te escreve

Covilhã cidade flor
Corpo agreste de cantaria
Em ti mora o meu amor
E em ti nasce o novo dia
Covilhã és linda terra
És qual roca bailando ao vento
Em ti aura quando neva
Covilhã tu és novo tempo

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Bellinzona

Capital do cantão do Tessino, na Suiça.


No topo das poucas coisas que me lembro de me lembrar quando era pequenina, está este castelo. Sempre o tive na minha memória, o castelo, o relvado e as muralhas quase labirinticas que o envolvem, e não é uma memória criada pelas fotografias, é real e a ideia é de grandiosidade, aquele castelo era para mim um mundo. E é mesmo, nos termos e para os efeitos do meu imaginário. Tal e qual todos os lugares onde voltamos mais tarde, e que simplesmente, em virtude de nós próprios sermos mais crescidos, nos desiludimos com o tamanho. São muitas as fotos exemplo disso, onde apareço ao pé de objectos ou baloiços, que na altura eram mesmo maiores do que agora me parecem. Porque em tese, o tamanho importa.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

No teu ombro

É no teu ombro que choro
quando perdida em mim mesma,
sempre que a vida me desafia.
Abraças-me e eu coro,
tomas-me para ti e não demoro
a contar-te a minha agonia.

És sempre a primeira pessoa
a quem o coração pede conforto
quando não sabe o que fazer.
Confortas-me assim a alma
Amparas-me em ti e acalmas
tudo o que em mim faz doer.

Serás sempre o meu refúgio
é em ti que tudo desemboca
em ti deposito meu corpo e pensar.
Amar-te muito parece pouco
restam as palavras somente
Agradecer-te sem te agradar.

AG.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pimba? Que é isso?

Ouvia hoje comentários do provedor da RDP, em comentário às criticas daquilo que passa nas rádios portuguesas. O tema era o desprezo pela música folclórica portuguesa e, por outro lado, pela música apelidada "pimba", que simplesmente não existe no panorama das rádios nacionais. De anotar o paradoxo com o que acontece com a televisão, onde o prato forte ainda são os cantores da tal música pimba. Porquê? Terá somente a ver com os públicos alvo? Deve haver público alvo quando se fala de música tradicional portuguesa ou de folclore? Quanto a esta última, eu sou suspeita, mas é muito mais uma questão de interesse cultural do que de gosto. O pimba pode não nos diferenciar de outros povos e de outras culturas, mas a nossa música antiga, mais tradicional - aquela que as crianças já não aprendem na escola, mas que as nossas avós cantam em côro, lembrando a mocidade - conjugada com etnografia de cada região ... Meus caros, não vou apelar aqui aos valores da identidade e das raizes comuns, mas é capaz de ter o seu interesse, e se não gostarem do nome, pronto, chamem-lhe FOLK apenas, sempre lhe dá uma ar mais «in».
Quanto à outra, essa que vive do estigma de ser pimba - mal tenha um refrão repetido, um instrumento mais ou menos popular lá pelo meio, e um tom mais alegre - e que nasceu, fique claro, quando alguém decidiu fazer uma música com esse mesmo nome: Nós pimba! Antes disso, as canções eram todas iguais, não havia preconceito relativamente a nenhuma delas. Basta recordar "O Foguete", de Carlos Paião, autor da "cancão do beijinho" do Herman, e outras canções de Carlos Paião, um dos maiores compositores portugueses, reconhecido por todos, por mérito próprio! - e nem sequer é por ter morrido antes do que era previsto, como geralmente acontece.
É que o preconceito que existe, actualmente, em torno do pimba é uma mera hipócrisia, como outra qualquer. Basta sair à rua em Lisboa na noite de 12 de Junho para perceber isto (a este propósito, a "Marcha do Pião das Nicas" do Carlos Paião é deliciosa!)
Ora, o que dificilmente se compreende com a razão, é que os locutores de rádio satisfaçam o seu desejo de música pimba - e o dos ouvintes! - precisamente com música pimba, mas em BOM, isto é, em INGLÊS! Nada que nos deva espantar este apanágio do povo português.
LAMENTAR TALVEZ.
E TER BOA MÚSICA EM CASA.
PIMBA OU NÃO. TANTO FAZ!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Presta-me homenagem

Diz-me coisas bonitas. Diz-me que isto nunca vai acabar. Isso basta-me para, apesar de tudo, eu ser uma pessoa melhor. Com os outros, mas sobretudo contigo. Dá-me a certeza que há pernas para andar, e relembra-me de todas as coincidências que nos fazem continuar juntos. Quero abraçar toda uma vida idealizada, sentir a tua presença nela. Sentir-te por perto e lutar por tudo aquilo que nos une. Serei sempre cada vez mais pertença TUA. Caminho na tua direcção. Concretizo um sonho a cada dia que passa. Conhecer-te como conheço tem levado à acomodação de feitios que já não posso deitar a perder. E é aflitivo pensar em tudo o que está por construir e concretizar. Pelo menos essa vontade angustiante não vai perder-se nunca. O desejo um do outro permanece em nós, venha quem vier. Os laços criados não podem mais ser desfeitos sem deixar marcas para sempre, nem poderia ser de outro modo: estas marcas na nossa expressão, nos julgamentos interiores que fazemos, inevitavelmente influenciados um pelo outro, estas marcas na pele, no corpo, no coração que sempre palpitará por ti. E se toda esta vontade de viver contigo for real, e portanto, eterna, serei feliz quando conseguir ter tudo o que me pertence. Ter a minha inocência, e o meu eterno amante. Tudo o que, pelo menos até hoje, eu já conquistei.

E A HISTÓRIA É CRIAÇÃO NOSSA.
REPETE-SE QUANDO QUISERMOS.
ACREDITA COMIGO.

A ansiedade consome

A ansiedade consome-me. A dor antecipa-se à realidade. Corrompe a réstea de pensamento útil e razoável. Deixo de pensar. Sou tomada pelas emoções. Não penso! O medo assume o comando das minhas acções - ou antes, da minha inércia, - e comanda contra todas as minhas forças. Fico em estado de dependência psicológica, sendo certo que só eu poderei dar o impulso de libertação. Sou a primeira a prejudicar-me a mim mesma. Sou precipitada. Sou a primeira a ceder. E não lido bem com as pressões. Sou uma simples e normal pessoa. Se o nosso Governo cede constantemente às pressões e pode recuar, eu também posso ter o meu direito de me questionar e ter os meus momentos de clausura interna. A diferença é que eu não vou propriamente submeter-me a eleições nos próximos meses. Mas é como se fosse.
A provação é grande. E pesada. A campanha já começou.