"- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão..."
Os Maias

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sons 09

Festival Folk em Janeiro de Cima - 4 a 6 de Setembro
«Um rio convida estendendo o ar fresco que cativa nas tardes quentes, um programa recheado e aberto a imensas caras alegres no regaço de uma serra que acolhe. Será assim a segunda edição do Sons09 em Janeiro de Cima, aldeia-casa no Fundão.
Primeira pedra de uma iniciativa que se estenderá nos anos e que nos levará numa viagem incrivel pelos recantos das aldeias do xisto, o Sons09 será o momento de retomar memórias de 2008 para uns e excusa soberba para arrecadar recordações para todos. Setembro receberá melodias de sempre quando o primeiro fim de semana chegar.»
(Mais informações em
http://www.sons09.rodobalho.com/)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dignidade


Ele há gente capaz de estar sempre no seu melhor, e gente que consegue ficar sempre bem na fotografia, e gente que consegue rodopiar sem tropeçar, gente que impressiona todos os que neles descansam o olhar, sem que isso canse. Ele há gente que consegue despertar inveja no modo de vida que aparenta levar, por tudo o que conseguem fazer, e por tudo aquilo que têm, e por tudo aquilo que os ornamenta.
No Verão, altura em que, vá se lá saber porquê, todos estes sintomas se intensificam, as pessoas parecem ter os interesses completamente ofuscados pela futilidade e pela sensação do curto prazo, do agora, do consumo, do belo, do melhor-que-o-do-vizinho, da hipocrisia. Só que na maior parte dos casos essa não há ali, afinal, uma prespectiva consolidada de tudo o que faz. Faz-se assim... Ao Deus dará. E acredito piamente que ao deitar, reine no coração dessa gente um vazio de ideias. Porque o coração, sim, deve ter ideias. Deve saber o que faz. Deve, pelo menos, dar sentido àquilo que faz. Quando assim não acontece, não há uma explicação digna para os actos que tomamos. Nada de confusões!!! Seguir os instintos mais primários não é seguir o coração. DIGNIFIQUE-SE.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ai,rapaz!

Se tu soubesses bem como é que eu fico quando vou ao bailarico e te miro a dançar à marcial... Já tentei dançar assim também a esse ritmo, cada passo com sentido e eu nem gosto de marchar. Mas quem me viu?! Ai, rapaz, mas eu queria uma valsa a três passos, dar-te a mão e ver a vida, agarrada a teus braços, ai... Fui-me pôr sentada mesmo à frente e ali esperei... A tantos eu neguei o prazer da minha dança, QUE ERA SÓ TUA... Mas o bar também chamou por ti, num entretanto, a banda ia tocando e quando tu de lá voltaste, A VALSA ACABOU! Ai, rapaz, mas eu queria ir na roda e ser teu par! Dar-te a mão, ir na folia e não mais a te largar. Foi então que a roda se fez, ao largo, larga tanta gente, muita farra e nós ali na multidão, COM OUTRO PAR! Fui passando par a par, nem sei quantos ao certo e tu cada vez mais perto e quando só faltava um, VEIO O LEILÃO! Ai, rapaz, o que eu queria era um baile bem mandado que nos guiasse à sacristia e voltássemos casados. E do palco surgiu uma voze a concertina: "Roda manel, vira maria e quem não vira perde a roda! E eu virei! Mas a voz, puxada à concertina, mais pedia e acelarava a melodia, os pés trocavam-se no chão. E assim foi... Ai, rapaz, e foi o baile, sem alma nem coração mal cantado e mal mandado que me atirou ao chão. E foste tu a dar-me a mão.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sons 08

No ano passado foi assim:

(clique na imagem)

sábado, 1 de agosto de 2009

Casamento

O advogado de Teresa & Helena, as duas mulheres que lutam pelo casamento civil entre homossexuais, funda o recurso ao Tribunal Constitucional, entre outras coisas, com o seguinte: "O artigo 36 da Constituição diz que "todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade". Pelo que alega a contradição com o Código Civil onde refere que o casamento é um contrato entre pessoas de sexos diferentes.
No entanto, isto só por si não demonstra haver desigualdade, no verdadeiro (e juridíco) sentido do termo. Com efeito, hoje no DN: os constitucionalistas Bacelar Gouveia e Paulo Otero defendem que não existe contradição entre a Constituição e o Código Civil. Os especialistas adiantaram ainda que para legalizar o casamento entre homossexuais não é preciso mudar a Constituição, basta alterar o Código Civil. Até aqui tudo bem.
Como não podia deixar de ser, "O conceito de casamento utilizado na Constituição é o da tradição judaico-cristã, que se baseia na união entre pessoas de sexos diferentes. O que pode haver é outra designação para as uniões entre pessoas do mesmo sexo", considera Paulo Otero. O professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa acrescenta ainda que "a Constituição não impede que se chame união ou união estável, mas para isso tem de haver uma alteração do Código Civil". Nada de novo, portanto.
No Acordão do Tribunal Constitucional, que decide a vida de T e H, datado de 9 de Julho de 2009 pode ler-se: "...se o legislador constitucional pretendesse introduzir uma alteração da configuração legal do casamento, impondo ao legislador ordinário a obrigação de legislar no sentido de passar a ser permitido a sua celebração por pessoas do mesmo sexo, certamente que o teria afirmado explicitamente, sem se limitar a legitimar o conceito configurado pela lei civil". Com razão.
E acaba por aderir a um conceito de casamento que, efectivamente, vigora, vive nos seguintes termos: "Em face da definição de casamento em vigor é ainda possível encarar este último como uma união completa entre um homem e uma mulher orientada para a educação conjunta dos filhos que possam ter; a definição do casamento pretendida pelas recorrentes encara-a como uma relação privada entre duas pessoas adultas que visa essencialmente satisfazer as necessidades próprias. Só assim se explica, aliás, que as recorrentes tenham chegado a enquadrar a sua pretensão à luz do princípio da liberdade contratual, previsto no artigo 405.º do Código Civil."
Em cinco juízes conselheiros, dois votos de vencido.
Com efeito, a questão vai sendo debatida ao nível da doutrina e da jurisprudência.
Ao nivel político e decisório, prima a falta de oportunidade, e passa com enorme volatilidade a prioridade e o caráter de urgência, conforme as vontades dos lideres partidários, e das agendas mais ou menos vazias de cada um. Sem pressa. Consolide-se.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Namorico da Rita


Sabem todos que lá vão que a Rita gosta do Chico.

E há quem diga à boca cheia, que depois de tanta fita,

o Chico de volta e meia, prega dois beijos na Rita!

Onde é que eu já ouvi isto?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A minha licenciatura

"O SUCESSO ENCORAJA-OS:
ELES PODEM PORQUE PENSAM QUE PODEM"

Virgilio, Eneida


Eu até sei que tenho uma estrelinha da sorte, uma espécie de varinha mágica que me acompanha para todo o lado. Não que a traga pendurada ao pescoço, não que a traga na minha mala. Mas sinto-a. Mesmo nos momentos em que tudo parece desmoronar, naquelas horas em que não tenho a certeza das minhas capacidades. Confio em algo ou alguém que sei que está por ali. E se eu fizer a coisa certa, não me vai deixar pendurada. É certo e sabido que tudo vai correr bem. E no seu tempo. Nada de pressas nem de pressões. Nem depressões. Nem de tristezas. Nada de pensamentos negativos. Porque encarar a vida com um sorriso é abrir portas e janelas. Sim, é "meio caminho andado". É uma maneira de passar pela vida, sem sofrer demasiado com as dificuldades que sentimos quando de manhã acordamos. Porque um obstáculo logo pela manhã, pode fazer-nos lidar de maneira diferente com aquele problema que de repente nos aparece ao final do dia, e que temos de resolver. Quando há uma recompensa, por mais pequena que seja, essa conquista é um triunfo, que há que salvaguardar, e retirar dele o máximo proveito. Reanimar as tropas e continuar a ser o que tenho sido. A palavra de ordem é "capacidade", que se concretiza com trabalho e com alegria. E que me faz acreditar que eu CONSIGO. E consegui. Mas nada disto nasceu comigo. Aprendi. Tentei. Errei. Estou aqui.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Batem leve levemente

Como quem chama por mim. Será chuva, será gente? Gente não é certamente, e a chuva não bate assim...
Fui declamar este poema na escola primária, numa festa de Natal para os pais, como era habitual no Centro Paroquial. E foi dele que me lembrei ao ver a chuva lá fora, no Pelourinho. Na cidade onde costuma nevar, a chuva não é igual aos outros sítios. Não cai. Acho que baloiça no ar e não chega a cair. Numa sala escura, contra a parede e em busca de acórdãos que me socorram, nem reparo que é a chuva que me acompanha, e que também ela se deixa andar sem avançar, sem se fazer notar, mas com uma presença simples, que existe por simplesmente existir.
A NEVE

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...

É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– e cai no meu coração.


Augusto Gil - Luar de Janeiro, 1909

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Covilhã, cidade neve (II)


É ao som dos adufos que se pode sentir um pouquinho da alma beirã, que a fadista Amália Rodrigues conhecia tão bem. Como quem é destas terras, como todos os que vão sem voltar, a sonoridade é aquilo que em qualquer parte nos transporta às origens, como se em nós morasse, para além de nós mesmos, todo um conjunto de pessoas, antepassados, gente daqui. Ao som dos adufos, sente-se uma alma beirã e a vida da gente que faz por ela. Com o sangue novo de quem gosta de por aqui estar. A Covilhã é a cidade Rainha, encostada à Serra que lhe serve de suporte, e descansa perfeita e serena. Já não se ouvem teares, nem se conhecem pastores de profissão. Mas ainda se sente, nesta cidade, um movimento que encanta. Saberes que se sabe existir, testemunhos da história que vive em monumentos.
Verdadeira cidade Flor à beira dos montes hermínios plantada.

Mas como não existem lugares perfeitos... o destaque desta semana vai para: OS MEUS PONTOS DE EMBRAIAGEM, também eles em fase de Estágio de Verão, nestes altos e baixos até à Praça do Município.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Covilhã, cidade neve (I)

Amália Rodrigues (clique para ouvir)



Covilhã cidade neve
Fiandeira alegre e contente
És o gesto que descreve
O passado heróico e valente
És das beiras a rainha
O teu nome é nome de povo
És um beiral de andorinha
Covilhã tu és sangue novo

De manhã quando te levantas
Que briosa vais para o tear
E os Hermínios tu encantas
Vestem lã para te namorar
E o pastor nos montes vagueia
Dorme à noite em lençol de neve
Ao serão teces longa teia
Ao teu bem que de longe te escreve

Covilhã cidade flor
Corpo agreste de cantaria
Em ti mora o meu amor
E em ti nasce o novo dia
Covilhã és linda terra
És qual roca bailando ao vento
Em ti aura quando neva
Covilhã tu és novo tempo

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Bellinzona

Capital do cantão do Tessino, na Suiça.


No topo das poucas coisas que me lembro de me lembrar quando era pequenina, está este castelo. Sempre o tive na minha memória, o castelo, o relvado e as muralhas quase labirinticas que o envolvem, e não é uma memória criada pelas fotografias, é real e a ideia é de grandiosidade, aquele castelo era para mim um mundo. E é mesmo, nos termos e para os efeitos do meu imaginário. Tal e qual todos os lugares onde voltamos mais tarde, e que simplesmente, em virtude de nós próprios sermos mais crescidos, nos desiludimos com o tamanho. São muitas as fotos exemplo disso, onde apareço ao pé de objectos ou baloiços, que na altura eram mesmo maiores do que agora me parecem. Porque em tese, o tamanho importa.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

No teu ombro

É no teu ombro que choro
quando perdida em mim mesma,
sempre que a vida me desafia.
Abraças-me e eu coro,
tomas-me para ti e não demoro
a contar-te a minha agonia.

És sempre a primeira pessoa
a quem o coração pede conforto
quando não sabe o que fazer.
Confortas-me assim a alma
Amparas-me em ti e acalmas
tudo o que em mim faz doer.

Serás sempre o meu refúgio
é em ti que tudo desemboca
em ti deposito meu corpo e pensar.
Amar-te muito parece pouco
restam as palavras somente
Agradecer-te sem te agradar.

AG.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pimba? Que é isso?

Ouvia hoje comentários do provedor da RDP, em comentário às criticas daquilo que passa nas rádios portuguesas. O tema era o desprezo pela música folclórica portuguesa e, por outro lado, pela música apelidada "pimba", que simplesmente não existe no panorama das rádios nacionais. De anotar o paradoxo com o que acontece com a televisão, onde o prato forte ainda são os cantores da tal música pimba. Porquê? Terá somente a ver com os públicos alvo? Deve haver público alvo quando se fala de música tradicional portuguesa ou de folclore? Quanto a esta última, eu sou suspeita, mas é muito mais uma questão de interesse cultural do que de gosto. O pimba pode não nos diferenciar de outros povos e de outras culturas, mas a nossa música antiga, mais tradicional - aquela que as crianças já não aprendem na escola, mas que as nossas avós cantam em côro, lembrando a mocidade - conjugada com etnografia de cada região ... Meus caros, não vou apelar aqui aos valores da identidade e das raizes comuns, mas é capaz de ter o seu interesse, e se não gostarem do nome, pronto, chamem-lhe FOLK apenas, sempre lhe dá uma ar mais «in».
Quanto à outra, essa que vive do estigma de ser pimba - mal tenha um refrão repetido, um instrumento mais ou menos popular lá pelo meio, e um tom mais alegre - e que nasceu, fique claro, quando alguém decidiu fazer uma música com esse mesmo nome: Nós pimba! Antes disso, as canções eram todas iguais, não havia preconceito relativamente a nenhuma delas. Basta recordar "O Foguete", de Carlos Paião, autor da "cancão do beijinho" do Herman, e outras canções de Carlos Paião, um dos maiores compositores portugueses, reconhecido por todos, por mérito próprio! - e nem sequer é por ter morrido antes do que era previsto, como geralmente acontece.
É que o preconceito que existe, actualmente, em torno do pimba é uma mera hipócrisia, como outra qualquer. Basta sair à rua em Lisboa na noite de 12 de Junho para perceber isto (a este propósito, a "Marcha do Pião das Nicas" do Carlos Paião é deliciosa!)
Ora, o que dificilmente se compreende com a razão, é que os locutores de rádio satisfaçam o seu desejo de música pimba - e o dos ouvintes! - precisamente com música pimba, mas em BOM, isto é, em INGLÊS! Nada que nos deva espantar este apanágio do povo português.
LAMENTAR TALVEZ.
E TER BOA MÚSICA EM CASA.
PIMBA OU NÃO. TANTO FAZ!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Presta-me homenagem

Diz-me coisas bonitas. Diz-me que isto nunca vai acabar. Isso basta-me para, apesar de tudo, eu ser uma pessoa melhor. Com os outros, mas sobretudo contigo. Dá-me a certeza que há pernas para andar, e relembra-me de todas as coincidências que nos fazem continuar juntos. Quero abraçar toda uma vida idealizada, sentir a tua presença nela. Sentir-te por perto e lutar por tudo aquilo que nos une. Serei sempre cada vez mais pertença TUA. Caminho na tua direcção. Concretizo um sonho a cada dia que passa. Conhecer-te como conheço tem levado à acomodação de feitios que já não posso deitar a perder. E é aflitivo pensar em tudo o que está por construir e concretizar. Pelo menos essa vontade angustiante não vai perder-se nunca. O desejo um do outro permanece em nós, venha quem vier. Os laços criados não podem mais ser desfeitos sem deixar marcas para sempre, nem poderia ser de outro modo: estas marcas na nossa expressão, nos julgamentos interiores que fazemos, inevitavelmente influenciados um pelo outro, estas marcas na pele, no corpo, no coração que sempre palpitará por ti. E se toda esta vontade de viver contigo for real, e portanto, eterna, serei feliz quando conseguir ter tudo o que me pertence. Ter a minha inocência, e o meu eterno amante. Tudo o que, pelo menos até hoje, eu já conquistei.

E A HISTÓRIA É CRIAÇÃO NOSSA.
REPETE-SE QUANDO QUISERMOS.
ACREDITA COMIGO.

A ansiedade consome

A ansiedade consome-me. A dor antecipa-se à realidade. Corrompe a réstea de pensamento útil e razoável. Deixo de pensar. Sou tomada pelas emoções. Não penso! O medo assume o comando das minhas acções - ou antes, da minha inércia, - e comanda contra todas as minhas forças. Fico em estado de dependência psicológica, sendo certo que só eu poderei dar o impulso de libertação. Sou a primeira a prejudicar-me a mim mesma. Sou precipitada. Sou a primeira a ceder. E não lido bem com as pressões. Sou uma simples e normal pessoa. Se o nosso Governo cede constantemente às pressões e pode recuar, eu também posso ter o meu direito de me questionar e ter os meus momentos de clausura interna. A diferença é que eu não vou propriamente submeter-me a eleições nos próximos meses. Mas é como se fosse.
A provação é grande. E pesada. A campanha já começou.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009.
Dia de assunção voluntária de compromissos.
A partir de agora: o dever de garante impende sobre mim.





I'm a BIG GIRL in a BIG WORLD.
It's not a big thing if you leave me.
But I do feel that I do will miss you much. Miss you much...
Outside it's now raining and tears are falling from my eyes.
Why did it have to happen? Why did it all have to end?...
I have your arms around me like fire.
But when I open my eyes
You're gone...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Hoje sou uma sementinha

Sinto-me como uma semente, das mais pequeninas. Perante monstros que sabem muito mais que eu, e se mostram imbatíveis - contra tudo e contra todos. A sensação de que é incontornável passar por este EMBATE e a certeza que estes momentos não se vão voltar a repetir, pelo menos com esta intensidade, tranquilizam-me. Confio na minha determinação. Sei que consigo superar as barreiras, sei que tenho alguns conhecimentos:p, até estou cada vez mais forte e mais segura, mas tenho sobretudo que PARECER tudo isto. E mais, parecê-lo nos tais momentos em que, por comparação, me sinto do tamanho de uma sementinha. Por isso decidi ser eu mesma. Isso tenho a certeza que consigo. Só isso me pode trazer a segurança neste crescer e a estabilidade emocional para saber estar em toda e qualquer situação em que seja posta à prova.
ATENÇÃO! UMA SEMENTE É UM SER PROMISSOR, DESENCADEIA E VIDA.
MAS É UMA PENA QUE NÃO PASSE DAQUELE TAMANHO
AOS OLHOS DE TODA A GENTE!

domingo, 14 de junho de 2009

Amor com amor se paga

A casa

Era uma casa muito engraçada. Não tinha tecto não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, não, porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede. Ninguém podia fazer xixi, porque penico não tinha ali.
Mas era feita com muito esmero. Na rua dos bobos, nº zero.

sábado, 13 de junho de 2009

To a green god

Trazia consigo a graça
das fontes quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce.

Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.

Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.

E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.

Eugénio de Andrade

Uma questão de Probilidades

Se eu ganhasse o euro milhões...
Havia de morar num bairro de Lisboa
à minha escolha.
Só que eu não jogo!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

De mãos dadas

Desde cedo, aprendi a fazer planos. Nunca fui de pensar apenas no Hoje e de fazer do imediato o meu modo de vida. Por isso, nunca foram fáceis as minhas escolhas. Mas, definitivamente, não gosto de tomar grandes decisões de futuro. E quando toda a gente espera uma decisão da minha parte, daquelas que só eu sei o suficiente (ou não) para tomar o rumo certo, demoro sempre tempo de mais a tomar qualquer decisão, quase a ponto de pôr em causa a minha própria possibilidade de escolha. E quando esperam de mim uma resposta, fico com medo. Preciso de alguém que me dê a mão, e que me puxe/empurre para onde eu decidir ir. Mesmo que a dúvida seja tão insignificante, mesmo que tenha efeitos limitados ao dia seguinte, às próximas horas. Na verdade, não foram muitos os momentos em que fiz alguma coisa sem pensar mais do que... tempo demais! Mas sempre fui feliz nas minhas escolhas. Profissionais. E pessoais.
Às vezes foi a própria vida que me fez não seguir determinados caminhos. Na altura nunca compreendi. Nada há como a distância que traga de volta a lucidez aos meus passos. Quando penso no meu percurso enquanto pessoinha, penso no nosso percurso. Sei que ainda não é longo, mas sinto que mesmo que me demore a decidir, há coisas que já não têm retorno! Há sonhos que têm que ser cumpridos. Há segredos que já deixaram de o ser, por natureza. Há promessas feitas e... irrevogáveis unilateralmente (sou daquelas pessoas que considera que se para iniciar uma relação são precisos dois consentimentos, para terminar também! Ora porque não?!).
É que quando eu me decido, já não penso em voltar para trás. Tem sido assim, com o teu empurrãozinho. E é por isso que vou andar de mãos dadas contigo para o resto da vida...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Jeremias, o fora-da-lei


Vou falar-vos dum curioso personagem:
Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado
Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado
das mais profundas entranhas da terra
E só quando as fachadas dos edifícios públicos
explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram
Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto um criminoso
tem uma certa tendência natural para ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões para se culpar
Porque nunca foi a ambição, nem a vingança,
que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição
Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação
Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitáveis
se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: «fora-da-lei»
Gosta de tesouros e mapas
sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar
que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora

terça-feira, 9 de junho de 2009

Perder o sentido

Retirei, plenamente consciente, horas e horas, ao meu estudo de processo penal, para me fazer à estrada, ou melhor, aos caminhos de ferro. Já estou habituada às correrias para apanhar os transportes, mas a tarefa torna-se especialmente complicada depois de dormir quatro horas na noite imediatamente anterior. O meu fantástico-sentido-de-orientação, algures também ele adormecido, deixa-me completamente desamparada, entre atrasos, horários, bilheteiras, destinos, escalas, linhas férreas, relógios e muito stress. Eu adoro andar de comboio e a viagem até à Beira Baixa é simpática. Gosto de estudar no comboio, gosto das curvas entre a montanha e o rio, de me sentir a passar por cima dos cruzamentos entre os carris, e ver os comboios a passar por mim!
Mas desta vez a sestinha foi inevitável, mesmo antes da habitual visita de boas-vindas do "fura-bilhetes". Acordo, ainda meio a dormir(!), só para lhe mostrar o meu bilhete, algo que se espera ser rápido. Rápido mas em boa hora! Porque acabo de perceber que estou no comboio errado e que vou ter que sair dentro de segundos! Que tal uma escala improvisada? Divertido?!! A reter: a minha desorientação chegou a ponto de ficar a olhar para a placa que me indica a linha 11, e ter que perguntar ao ser racional que se encontrava mais perto se aquela que estava a ver era realmemente a linha 11! É por estas e por outras situações que gosto de andar por sítios onde nunca ninguém me conhece.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Atualidade (sim, actualidade)

Já não falta uma semana para as primeiras eleições do ano. Prevê-se que sejamos atolados em todo o tipo de estradas, cruzamentos, rotundas e alamedas com todo o tipo de cartazes de enormes dimensões, na maior parte das vezes sobrepostos aos sinais de trânsito, e cujo objectivo principal é precisamente chamar a nossa atenção. Conseguem!
Mas vejam uma outra versão de cada cartaz, neste sitio, onde se encontra também esta pequena pérola de ironia:
(coloquei aqui porque não me canso de ouvir)
@www.wehavethekaosinthegarden.blogspot.com

"Que professor da FDL és tu?"

Resultado - PAULO OTERO!
Estive a brincar no FaceBook e submeti-me a um quiz - como se não tivesse mais nada para fazer - e para surpresa minha, o resultado não foi surpreendente. Ainda hoje recordo as aulas dele, todas as terças-feiras do meu primeiro ano na FDL, sempre das 11h às 13h. Entusiasmava-me. E nos momentos de cada semana em que me perguntava, a mim mesma, pela minha aptidão à nova realidade, eram as aulas dele que me faziam ver no Direito, aquilo que procurava! Todos devíamos ter o Paulo Otero no 1º ano e o Jorge Miranda no último! Perfect!

«Otero! Primeiro as boas ou as más notícias? Bom, és um dos melhores (senão o melhor) professor da Faculdade de Direito de Lisboa. Ninguém se pode queixar da qualidade das tuas aulas teóricas de Direito Constitucional, verdadeiras fontes onde podemos beber a sabedoria. Cada palavra que sai da tua boca está pensada para voar e repousar nas nossas folhas de apontamentos de uma forma organizada, estruturada, esquemática. As aulas são boas e valem ouro; porque, na realidade, não temos opção: ou vamos a todas ou chega o teste/exame e já fomos... sai SEMPRE o que deste nas teóricas (perguntado da mesma maneira e tudo). Mas não é só disto que são feitos os teus exames. Certo dia, resolveste fazer o enunciado da época de recurso exactamente igual ao da primeira época... dá para imaginar as caras dos alunos que tinham chumbado por não saberem resove-lo... Acerca disto, disseste que eras realmente benevolente, ao ponto de nos dares outra oportunidade... mas acho que ninguém foi muito nessa conversa... E já que estamos a descambar, podemos falar da lavagem cerebral que tentas fazer a todos os alunos que assistem à tua plenária. Ele é aborto, homofobia... Ah! E doutrina social da igreja! Conseguiste explicar-nos como é que o facto de coçarmos o nariz pode ter a ver com a herança da doutrina social da igreja. E como o artigo 1º... e 2º... ah, e o 3º... o 4º? Ok, como todos os artigos da constituição foram (lá beeeemmmm no fundo), influenciados pela cultura judaico-cristã. No dia seguinte ao referendo relativo à despenalização do aborto, foste de gravata preta... coincidência? Frase célebre: "Bom dia meu senhores, minhas senhoras... espero que não haja um terceiro género...".»

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sailer Moon - celebrate

Como cresci nos últimos quinze anos! (aliás, contigo, nos últimos três...)
Mas posso continuar a celebrar o meu próprio dia da criança, que não tem sequer que ser hoje.
Já não me lembro muito bem do argumento desta Série típica das manhãs de Sábado. Conhecidas pelas "Navegantes da Lua", na memória ficou-me um conjunto de amigas um bocadinho fúteis, todas um bocadinho feias, todas muito intriguistas e um bocado histéricas. Havia uma que era a principal - a mais loira e a mais parva! - E depois o amado da loira, desse lembro-me perfeitamente. Era o Mascarado, vestia preto, com uma capa e aparecia sempre para as ajudar. Sim, de vez em quando, elas lutavam juntas contra pessoas que eram do mal mas essa parte eu nunca percebi.
Acho que já na altura não acreditava em nada que não fosse realmente alcançável.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Amália Hoje (e sempre) em original !

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.