"- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão..." Os Maias
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009. Dia de assunção voluntária de compromissos. A partir de agora: o dever de garante impende sobre mim.
I'm a BIG GIRL in a BIG WORLD. It's not a big thing if you leave me. But I do feel that I do will miss you much. Miss you much... Outside it's now raining and tears are falling from my eyes. Why did it have to happen? Why did it all have to end?... I have your arms around me like fire. But when I open my eyes You're gone...
Sinto-me como uma semente, das mais pequeninas. Perante monstros que sabem muito mais que eu, e se mostram imbatíveis - contra tudo e contra todos. A sensação de que é incontornável passar por este EMBATE e a certeza que estes momentos não se vão voltar a repetir, pelo menos com esta intensidade, tranquilizam-me. Confio na minha determinação. Sei que consigo superar as barreiras, sei que tenho alguns conhecimentos:p, até estou cada vez mais forte e mais segura, mas tenho sobretudo que PARECER tudo isto. E mais, parecê-lo nos tais momentos em que, por comparação, me sinto do tamanho de uma sementinha. Por isso decidi ser eu mesma. Isso tenho a certeza que consigo. Só isso me pode trazer a segurança neste crescer e a estabilidade emocional para saber estar em toda e qualquer situação em que seja posta à prova.
ATENÇÃO! UMA SEMENTE É UM SER PROMISSOR, DESENCADEIA E VIDA. MAS É UMA PENA QUE NÃO PASSE DAQUELE TAMANHO AOS OLHOS DE TODA A GENTE!
Era uma casa muito engraçada. Não tinha tecto não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, não, porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede. Ninguém podia fazer xixi, porque penico não tinha ali. Mas era feita com muito esmero. Na rua dos bobos, nº zero.
Desde cedo, aprendi a fazer planos. Nunca fui de pensar apenas no Hoje e de fazer do imediato o meu modo de vida. Por isso, nunca foram fáceis as minhas escolhas. Mas, definitivamente, não gosto de tomar grandes decisões de futuro. E quando toda a gente espera uma decisão da minha parte, daquelas que só eu sei o suficiente (ou não) para tomar o rumo certo, demoro sempre tempo de mais a tomar qualquer decisão, quase a ponto de pôr em causa a minha própria possibilidade de escolha. E quando esperam de mim uma resposta, fico com medo. Preciso de alguém que me dê a mão, e que me puxe/empurre para onde eu decidir ir. Mesmo que a dúvida seja tão insignificante, mesmo que tenha efeitos limitados ao dia seguinte, às próximas horas. Na verdade, não foram muitos os momentos em que fiz alguma coisa sem pensar mais do que... tempo demais! Mas sempre fui feliz nas minhas escolhas. Profissionais. E pessoais.
Às vezes foi a própria vida que me fez não seguir determinados caminhos. Na altura nunca compreendi. Nada há como a distância que traga de volta a lucidez aos meus passos. Quando penso no meu percurso enquanto pessoinha, penso no nosso percurso. Sei que ainda não é longo, mas sinto que mesmo que me demore a decidir, há coisas que já não têm retorno! Há sonhos que têm que ser cumpridos. Há segredos que já deixaram de o ser, por natureza. Há promessas feitas e... irrevogáveis unilateralmente (sou daquelas pessoas que considera que se para iniciar uma relação são precisos dois consentimentos, para terminar também! Ora porque não?!).
É que quando eu me decido, já não penso em voltar para trás. Tem sido assim, com o teu empurrãozinho. E é por isso que vou andar de mãos dadas contigo para o resto da vida...
Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada Será realmente pública a lei que as leis encerram Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular É que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado Jeremias nunca encontrou razões para se culpar Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a lei E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais Foragido por amor ao que é belo e por vocação Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele E da forma como as mulheres murmuram: «fora-da-lei» Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Retirei, plenamente consciente, horas e horas, ao meu estudo de processo penal, para me fazer à estrada, ou melhor, aos caminhos de ferro. Já estou habituada às correrias para apanhar os transportes, mas a tarefa torna-se especialmente complicada depois de dormir quatro horas na noite imediatamente anterior. O meu fantástico-sentido-de-orientação, algures também ele adormecido, deixa-me completamente desamparada, entre atrasos, horários, bilheteiras, destinos, escalas, linhas férreas, relógios e muito stress. Eu adoro andar de comboio e a viagem até à Beira Baixa é simpática. Gosto de estudar no comboio, gosto das curvas entre a montanha e o rio, de me sentir a passar por cima dos cruzamentos entre os carris, e ver os comboios a passar por mim! Mas desta vez a sestinha foi inevitável, mesmo antes da habitual visita de boas-vindas do "fura-bilhetes". Acordo, ainda meio a dormir(!), só para lhe mostrar o meu bilhete, algo que se espera ser rápido. Rápido mas em boa hora! Porque acabo de perceber que estou no comboio errado e que vou ter que sair dentro de segundos! Que tal uma escala improvisada? Divertido?!! A reter: a minha desorientação chegou a ponto de ficar a olhar para a placa que me indica a linha 11, e ter que perguntar ao ser racional que se encontrava mais perto se aquela que estava a ver era realmemente a linha 11! É por estas e por outras situações que gosto de andar por sítios onde nunca ninguém me conhece.
Já não falta uma semana para as primeiras eleições do ano. Prevê-se que sejamos atolados em todo o tipo de estradas, cruzamentos, rotundas e alamedas com todo o tipo de cartazes de enormes dimensões, na maior parte das vezes sobrepostos aos sinais de trânsito, e cujo objectivo principal é precisamente chamar a nossa atenção. Conseguem! Mas vejam uma outra versão de cada cartaz, neste sitio, onde se encontra também esta pequena pérola de ironia:
Resultado - PAULO OTERO! Estive a brincar no FaceBook e submeti-me a um quiz - como se não tivesse mais nada para fazer - e para surpresa minha, o resultado não foi surpreendente. Ainda hoje recordo as aulas dele, todas as terças-feiras do meu primeiro ano na FDL, sempre das 11h às 13h. Entusiasmava-me. E nos momentos de cada semana em que me perguntava, a mim mesma, pela minha aptidão à nova realidade, eram as aulas dele que me faziam ver no Direito, aquilo que procurava! Todos devíamos ter o Paulo Otero no 1º ano e o Jorge Miranda no último! Perfect!
«Otero! Primeiro as boas ou as más notícias? Bom, és um dos melhores (senão o melhor) professor da Faculdade de Direito de Lisboa. Ninguém se pode queixar da qualidade das tuas aulas teóricas de Direito Constitucional, verdadeiras fontes onde podemos beber a sabedoria. Cada palavra que sai da tua boca está pensada para voar e repousar nas nossas folhas de apontamentos de uma forma organizada, estruturada, esquemática. As aulas são boas e valem ouro; porque, na realidade, não temos opção: ou vamos a todas ou chega o teste/exame e já fomos... sai SEMPRE o que deste nas teóricas (perguntado da mesma maneira e tudo). Mas não é só disto que são feitos os teus exames. Certo dia, resolveste fazer o enunciado da época de recurso exactamente igual ao da primeira época... dá para imaginar as caras dos alunos que tinham chumbado por não saberem resove-lo... Acerca disto, disseste que eras realmente benevolente, ao ponto de nos dares outra oportunidade... mas acho que ninguém foi muito nessa conversa... E já que estamos a descambar, podemos falar da lavagem cerebral que tentas fazer a todos os alunos que assistem à tua plenária. Ele é aborto, homofobia... Ah! E doutrina social da igreja! Conseguiste explicar-nos como é que o facto de coçarmos o nariz pode ter a ver com a herança da doutrina social da igreja. E como o artigo 1º... e 2º... ah, e o 3º... o 4º? Ok, como todos os artigos da constituição foram (lá beeeemmmm no fundo), influenciados pela cultura judaico-cristã. No dia seguinte ao referendo relativo à despenalização do aborto, foste de gravata preta... coincidência? Frase célebre: "Bom dia meu senhores, minhas senhoras... espero que não haja um terceiro género...".»
Como cresci nos últimos quinze anos! (aliás, contigo, nos últimos três...) Mas posso continuar a celebrar o meu próprio dia da criança, que não tem sequer que ser hoje. Já não me lembro muito bem do argumento desta Série típica das manhãs de Sábado. Conhecidas pelas "Navegantes da Lua", na memória ficou-me um conjunto de amigas um bocadinho fúteis, todas um bocadinho feias, todas muito intriguistas e um bocado histéricas. Havia uma que era a principal - a mais loira e a mais parva! - E depois o amado da loira, desse lembro-me perfeitamente. Era o Mascarado, vestia preto, com uma capa e aparecia sempre para as ajudar. Sim, de vez em quando, elas lutavam juntas contra pessoas que eram do mal mas essa parte eu nunca percebi. Acho que já na altura não acreditava em nada que não fosse realmente alcançável.
Se uma gaivota viesse Trazer-me o céu de Lisboa No desenho que fizesse, Nesse céu onde o olhar É uma asa que não voa, Esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração No meu peito bateria, Meu amor na tua mão, Nessa mão onde cabia Perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro, Dos sete mares andarilho, Fosse quem sabe o primeiro A contar-me o que inventasse, Se um olhar de novo brilho No meu olhar se enlaçasse.
Se ao dizer adeus à vida As aves todas do céu, Me dessem na despedida O teu olhar derradeiro, Esse olhar que era só teu, Amor que foste o primeiro.
Hoje o dia não terminou bem. Eu parecia lutar sózinha. Sem glória. Passei, por rotina, a comprar pão antes de chegar a casa. E uma senhora... Disse-me "boa tarde" e tocou-me no braço como se me conhecesse. Não é a primeira nem a segunda vez que acontece, mas foi tão sincera que me fez sorrir quando só queria chorar. A simplicidade de um gesto transforma o espaço e o tempo em que me encontro e reclama a serenidade de um mundo menos indiferente. Reclama simpatia e afecto. Consegue levar-me DAQUI!! Estava na RUA, completamente desprotegida, nua, sem querer estar ali! Mas senti-me numa rua de Janeiro de Cima, o que equivale a dizer "em casa", "com os meus". E a saudade atravessa-me o rosto. É tarde. Mas amanhã ainda será a tempo de amar e fazer sentir amados aqueles que amo. E aos outros também. Quem sabe. Afinal pisamos a calçada, encontramos pedras, apanhamos autocarros, mas cruzamo-nos, a toda a hora, com pessoas...
Uff! Parece que nesta altura somos todos levados a comprar umas fitas, a entregá-las a algumas pessoas (àquelas que nos são mais queridas...). Somos mesmo compelidos ainda a comprar uma madeirinha, um grelo (duas fitinhas, com as cores do respectivo curso, para colocar na lapela de um finalista, para quem ignore o que é um «grelo» - eu descobri ontem!). As lojinhas simpáticas que vendem todo esse espólio de materiais estão completamente cheias! Formam-se filas para comprar só mais aquele emblema!! Causa-me estranheza.
Porque é que não deixaram os últimos dias para pessoas como eu? Que hoje ainda andei feita barata tonta a comprar fitas para entregar?! Estes últimos dias deviam ser reservados para quem realmente ainda não tinha pensado nisso... O que é certo é que eu não ando especialmente inspirada para escrever fitas. Começo mesmo a achar que me falta o jeito. Nem sei muito bem o que são. Não considero que sejam nem uma despedida, nem uma tentativa de caracterização do outro, nem o descrever de situações vividas. Porque tudo isso é muito (é demais!!!) para figurar naquele bocado de tecido. Ainda assim, uma simples fita consegue ter uma mística que não nos deixa indiferentes. Senão vejamos: Hoje vi uma lágrima em quem até hoje só tinha visto sorrir. Já lá iam uns meses que eu não chorava TANTO como hoje.